Justiça quebra sigilo de advogado londrinense
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sábado, 08 de novembro de 2003
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O advogado londrinense Vandocir José dos Santos teve quebrado o sigilo de sua conta bancária no Banco Bradesco no início da semana pelo juiz da 2 Vara Federal Criminal de Curitiba, Sérgio Moro.
O juiz determinou a quebra do sigilo após ser informado pela Polícia Federal (PF), da apreensão de um cheque assinado por Santos em poder do doleiro Alberto Youssef, preso no último domingo em Londrina, a pedido da força-tarefa que investiga remessas ilegais de dinheiro ao exterior através do Banestado. Youssef é acusado de movimentar cerca de US$ 3 milhões em uma conta de sua cunhada, Cristina Fernandes da Silva, na agência do Banestado em Nova York. O doleiro também é acusado de sonegar entre 1996 e 1999 um total de R$ 118 milhões em impostos que deveriam ter sido pagos pela Youssef Câmbio e Turismo, de propriedade do doleiro.
O cheque, de R$ 150 mil, datado de 2003, nominal ao deputado federal José Janene, traz no verso, uma anotação à mão, informando que o cheque se refere a ''caução pela equivalência de US$ 80 mil''. Uma cópia do cheque foi publicada ontem no jornal Folha de São Paulo.
''Não tenho atribuição para investigar deputados federais, mas o que me parece mais relevante, o que nos interessa, é que este cheque demonstra que o Youssef continua em atividades criminais. Existe uma anotação no verso do cheque de que serviria para caução de uma transação de dólares. Se a pessoa continua em atividade criminosa justifica a manutenção da prisão'', afirmou o procurador da República, que compõe a força-tarefa, Carlos Fernando Santos Lima.
Segundo o procurador, Youssef teria declarado ao ser preso, que o advogado teria esquecido o cheque e que ele iria devolver.
O advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, disse que ''o fato do cheque estar com o Alberto não quer dizer nada''. ''Não sei o que o cheque do Vandocir fazia com o Alberto, mas se teve algum negócio, é do Vandocir com o deputado'', argumentou.
A reportagem tentou entrar em contato com Santos, mas a secretária dele disse que o advogado está viajando. Os telefones celulares do deputado José Janene, que estava ontem na região de Campo Mourão, estavam desligados ou fora de área. Na reportagem publicada ontem na Folha de São Paulo, Janene afirmou que o cheque seria de R$ 150, e se referia a um negócio firmado com o advogado que não se concretizou.


