A juíza substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba, Gabriela Hardt, estendeu por mais cinco dias as prisões temporárias das seis pessoas detidas durante a Operação Integração, que investiga possíveis irregularidades na concessão de rodovias no Paraná e faz parte da 48ª fase da Lava Jato. A apuração é coordenada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal. A decisão de prorrogação saiu às 20h40 desta segunda-feira (26).

A medida, que vence no final desta semana, vale para Nelson Leal Júnior, que dirigia o DER (Departamento de Estradas e Rodagem), Oscar Alberto Gayer da Silva, ex-funcionário do DER; Wellington de Melo Volpato, sócio da Eco Sul Brasil Construtora; Hélio Ogama, diretor da Econorte/Triunfo; Leonardo Guerra, administrador da Rio Tibagi Engenharia, e Sandro Antônio de Lima, funcionário da Econorte. Destes, apenas Ogama e Guerra permanecem na seda da PF em Londrina, na rua Tietê, área central. O restante está custodiado em Curitiba.

Imagem ilustrativa da imagem Justiça prorroga prisão de seis detidos pela Lava Jato no Paraná
| Foto: Anderson Coelho/Grupo Folha


O advogado Rodrigo Antunes, que defende o empresário da Rio Tibagi, disse que não iria se manifestar por enquanto porque ainda está estudando o processo. A reportagem não conseguiu contato com o advogado Gabriel Bertin, que defende Ogama na Integração. O Ministério Público Federal queria a prisão preventiva dos acusados, mas a Justiça entendeu que o prolongamento da temporária seria suficiente, pelo menos nesta fase processual.

A Lava Jato apura crimes como corrupção, fraude a licitações, peculato e lavagem de dinheiro. Além das prisões, 55 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na operação.

O que cada um diz

Nelson Leal Júnior ficou em silêncio durante interrogatório à Polícia Federal, mas resolveu falar diante dos promotores. Ele declarou que é diretor do DER desde janeiro de 2013, conselheiro da Copel (Companhia Paranaense de Energia) e que tem uma renda mensal de R$ 60 mil. O acusado negou todos os crimes e disse que não é amigo pessoal de Volpato.

Para o MPF, a informação da relação de amizade não é verdadeira, já que a força-tarefa encontrou uma foto de Júnior com Volpato durante as buscas na casa do sócio da Eco Sul Brasil. Para a juíza, ele deve explicar melhor o vínculo com um dos comandantes do DER.

A defesa de Leonardo Guerra reiterou que ele foi exonerador da administração da Rio Tibagi em outubro do ano passado. Na garagem da casa dele, a Lava Jato apreendeu R$ 252 mil. "O acondicionamento do númerário levanta suspeitas a respeito da intenção de ocultar os valores, eis que normalmente tal quantia é guardada em cofres", disse a juíza Gabriela Hardt.

Com informações obtidas junto à Receita Federal, o MPF informo que Guerra adquiriu 40 imóveis em Londrina entre 2011 e 2013. Na residência de Hélio Ogama, representante da Econorte, os policiais apreenderam documentos que serão analisados durante o processo. Tal afirmação foi feita pela magistrada também em relação à Sandro Antônio de Lima e Oscar Alberto Gayer da Silva.

Cedo demais

Apesar do MPF ter dito que "há várias inconsistências nas versões apresentadas pelas investigados", a Justiça Federal salientou "que qualquer conclusão é prematura. A prorrogação da prisão temporária concederá mais tempo à autoridade policial para melhor exame dos materiais já apreendidos, assim como nova oitiva dos investigados e manifestação das suas defesas".

Quando a Integração foi deflagrada, um escritório localizado em um edifício da rua Piauí, outro em um prédio do Calçadão, um condomínio na Gleba Palhano e a sede da Econorte, que administra algumas praças de pedágio no Estado, como a de Jataizinho (20 km de Londrina), foram vasculhados pela Lava Jato. A força-tarefa estima um superfaturamento de até 89% no valor da tarifa cobrada no Paraná. De acordo com a Receita Federal, R$ 56 milhões foram desviados em três anos.

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