Curitiba Espaço de manifestações políticas que serviu de palanque em campanhas presidenciais desde Getúlio Vargas, há mais de 50 anos, e que já foi tomado por 50 mil pessoas no primeiro manifesto pelas Diretas-Já, em 1984, a Boca Maldita de Curitiba não poderá mais abrigar comícios eleitorais. O juiz responsável pela propaganda de rua da campanha deste ano, Fernando Ferreira de Moraes, proibiu o uso do local para esse tipo de ato político.
''Calar a Boca Maldita é um retrocesso execrável, é algo que nem a ditadura ousou fazer'', diz o advogado da candidatura de Rubens Bueno (PPS) à prefeitura, Luiz Felipe Haj Mussi. A coligação pró-Bueno tinha agenda comício de encerramento da campanha no local em 30 de setembro. ''É cercear o direito à democracia'', afirma o advogado da campanha petista de Ângelo Vanhoni, Cristiano Hortz.
PPS, PT e o PFL de Osmar Bertoldi entraram com uma representação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para tentar derrubar a decisão de Moraes. Anteontem o desembargador Ulysses Lopes negou liminar aos partidos, mas o assunto ainda vai a julgamento.
A Boca Maldita fica no centro de Curitiba, no final do calçadão da Rua 15 de Novembro (também conhecida por Rua das Flores). A denominação surgiu, segundo frequentadores, por concentrar os homens do poder, políticos e aposentados nos finais de tarde e nos sábados pela manhã. Com o passar dos anos, tornou-se o centro de manifestações e campanhas de toda ordem e termômetro das eleições na cidade.
Moraes proibiu os comícios no local ao atender a uma queixa da Faculdade Internacional de Curitiba, que se instalou nas imediações há pouco tempo. A lei eleitoral não permite concentrações políticas e comícios a 200 metros de escolas.
Segundo ele, comício ''é uma atividade barulhenta''. O juiz também disse não ser contra apresentações artísticas na área, como a tradicional de Natal do HSBC. ''Cantos não ferem os ouvidos de ninguém.'' Ele afirma ainda que a cidade cresceu e que a Boca Maldita tem que ser preservada por ser um ''ponto nevrálgico de trânsito de pessoas, comércio e movimentação hoteleira.
O juiz sugere outros pontos da cidade para a realização dos comícios e defende a tese de que os comícios ''têm que atrair as pessoas espontaneamente''. Na Boca Maldita, segundo ele, esses eventos são ''impostos'' aos cidadãos.

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