Justiça pode transferir bens de Paolicchi
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sexta-feira, 01 de novembro de 2002
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá A Justiça Federal vai decidir até a próxima semana se transfere parte dos bens sequestrados do ex-secretário de Fazenda Luiz Antônio Paolicchi para a Prefeitura de Maringá. Preso desde dezembro de 2000, o ex-secretário é acusado de formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. O pedido foi feito pelo procurador regional da República, Natalicio Claro da Silva, para deixar a prefeitura como fiel depositária dos bens avaliados em R$ 10 milhões.
Segundo o procurador, na ação penal que originou a prisão de Paolicchi estão sequestrados uma chácara em Maringá, duas fazendas (em MT e MS), dois apartamentos (Curitiba e Maringá), e três colheitadeiras. Silva explica que se o município ficar como depositário dos apartamentos, por exemplo, poderá constituir renda por meio de locações. No início do ano, a Justiça Federal fez o leilão de duas colheitadeiras do ex-prefeito Jairo Gianoto.
Uma pick-up importada, apreendida criminalmente porque estava com Paolicchi no momento da prisão, também poderá ser avaliada para venda em leilão. O procurador afirma que os bens só serão liberados em definitivo para a prefeitura quando a ação transitar em julgado. Paolicchi já foi condenado neste processo em primeira instância, mas a defesa e o Ministério Público Federal (MPF) recorreram da sentença, cuja pena foi estipulada em nove anos de prisão.
Na Justiça Federal, Paolichi também responde a um outro processo criminal com o ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido). Os dois também são parceiros em uma série de ações que pedem o ressarcimento de dinheiro na Justiça Estadual. O valor dos pedidos passa de R$ 87 milhões, cujo dinheiro envolve a gestão de Gianoto (1997-2000) e duas administrações anteriores.
Desde a abertura dos processos que apuram a corrupção na prefeitura, o município conseguiu reaver R$ 1.287.759,21. A última devolução ocorreu em outubro, no valor de R$ 133 mil. O dinheiro foi retirado da prefeitura, segundo o MP, em um esquema entre o ex-secretário e o doleiro Alberto Youssef, de Londrina.
O valor foi descoberto por meio das investigações que o promotor de Defesa do Patrimônio Público, José Aparecido da Cruz, desenvolve desde 2000 para o rastreamento dos cheques. Um dos cheques emitidos pela prefeitura foi nominal a David Novoa Gonzalez, um comerciante de Manaus (AM), que recebeu em junho de 2000, R$ 90 mil, por meio de um depósito em conta corrente.
O promotor procurou Gonzalez, que alegou desconhecer a origem do dinheiro. Depois, o próprio comerciante descobriu que naquele ano havia vendido dólares para Cortez Casa de Câmbio e Turismo. O dono da casa, o doleiro Mário Jorge Taveira Cortez, ficou responsável pelo depósito da venda na conta corrente de Gonzalez. Youssef nega envolvimento no esquema de Maringá.


