O suposto envolvimento do empresário Paulo César Farias com a máfia italiana pode provocar a reabertura do inquérito que apurou a morte do ex-tesoureiro de campanha de Fernando Collor. A informação foi dada ontem pelo juiz da 8ª Vara Criminal de Maceió, Alberto Jorge Correia, onde tramita o inquérito, cuja conclusão foi que, no dia 23 de junho do ano passado, PC foi assassinado por sua namorada, Suzana Marcolino, que se suicidou minutos depois.
‘‘Caso os agentes federais tragam de Roma (Itália) informações novas aos autos, determino novas diligências. Por enquanto, as informações do processo, às quais devo me ater, não possuem nenhum indício de que houve queima de arquivo no caso’’, afirmou o juiz.
A ‘‘Folha de S.Paulo’’ revelou ontem que cerca de R$ 200 milhões do dinheiro que PC Farias teria desviado dos cofres públicos do país estão em poder da máfia italiana.
A Polícia Federal está em Roma para tomar conhecimento dessas informações colhidas pela Justiça da Itália, que diz ter descoberto a rota do dinheiro de PC. Essas revelações fizeram a PF a retomar suas suspeitas de que PC fora assassinado em uma trama de ‘‘queima de arquivo’’.
‘‘Tudo indica que mais uma vez o caso PC vai para a esfera da fantasia. Estão querendo derrubar toda prova técnica colhida por nós e pelos peritos da Unicamp (Universidade Federal de Campinas) sem ter nenhum dado novo para acrescentar’’, afirmou Cícero Torres, delegado responsável pelo inquérito.
Segundo Torres, a prova de que PC tinha envolvimento com a máfia ‘‘em nada muda o resultado do inquérito de que o crime foi passional’’. Desde setembro, quando foi remetido pela polícia alagoana à Justiça, o caso da morte de PC e de sua namorada segue em ritmo lento e se aproxima do arquivamento, por falta de novas provas.
O juiz Correia é o segundo a passar pelo caso. O primeiro, Fernando Tourinho, foi transferido da 8ª Vara Criminal para o juizado da Infância e Adolescência. O próprio Tourinho requisitou sua transferência. Correia assumiu o caso no último dia 27.
Ele precisa julgar pedido da promotora Sailde Soares Mendonça que quer um laudo, paralelo ao do legista Fortunato Badan Palhares, seja realizado e anexado ao processo.
A promotora quer que o legista responsável pelo novo laudo seja o polêmico alagoano George Sanguinetti, que passou os dois meses de investigação policial contrariando a tese da polícia alagoana e a de Badan Palhares. Para Sanguinetti, pela posição em que os corpos foram encontrados, houve um duplo homicídio na casa da Praia de Guaxuma, litoral norte de Maceió.

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