Osmani Costa
De Londrina
Os aparelhos de apostas que funcionam com moedas, conhecidos como ‘‘bingos’’ e apelidados de ‘‘caça-níqueis’’, estão espalhados em dezenas de bares, lanchonetes e mercados de Londrina. O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Acácio de Azevedo, afirma que não há como combater o jogo porque há liminares de juízes do Tribunal de Pequenas Causas (TPC) considerando as máquinas como de diversão eletrônica e não como de jogo de azar.
As máquinas, que funcionam com moedas de R$ 0,25 a R$ 1,00, são de vários modelos – Bingo Tour, Bingo Gol Plus, Caveira, Bingomania etc. – e pertencem basicamente a duas empresas: Universal Games e Diverpar. O delegado comandou uma operação de apreensão destas máquinas, no primeiro semestre. ‘‘As máquinas foram lacradas e encaminhadas para a Criminalística para perícia, mas logo foram devolvidas às empresas por força da liminar. Temos que cumprir ordens judiciais e, por enquanto, nada podemos fazer contra este tipo de jogo’’, ressalta Azevedo.
O advogado da Universal, João Tavares de Lima Filho, comenta que a empresa possui não apenas a antiga liminar, mas uma sentença judicial garantindo a legalidade do funcionamento das máquinas que operam com moedas. ‘‘A sentença do juiz João Antonio Demarchi, do TPC, do final de setembro, mandou arquivar o inquérito por considerar as máquinas de diversão eletrônica e não caça-níqueis como as dos cassinos’’, garante.
Segundo ele, a perícia comprovou que as máquinas da empresa possibilitam 85% de chance de ganho aos apostadores, enquanto que nas caça-níqueis proibidas esta possibilidade seria menor que 60%. ‘‘Nas máquinas liberadas pela Justiça o apostador depende de sua habilidade para ganhar. Nas que funcionam em bingos e cassinos, o apostador não pode manipular, não pode induzir o resultado, depende exclusivamente da sorte’’, comenta Tavares.
Em um bar do centro da cidade, o músico Mauro Petteres jogava na tarde de ontem numa máquina em que a aposta única de R$ 0,25 pode render até R$ 125,00 em prêmio. Ele já havia ganho R$ 15,00. ‘‘Jogo de vez em quando para passar o tempo. Não sou viciado. Estas máquinas estão programadas para ganhar quase sempre do apostador. Por mim, a polícia pode levar tudo embora’’, disse.
A Folha não conseguiu contato com o juiz João de Demarchi e nem com a empresa Diverpar, que não tem cadastro telefônico na Sercomtel e nem na Telepar.

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