Justiça permite eleição na Câmara de Curitiba
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quinta-feira, 21 de novembro de 2002
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Com 26 votos a favor, o vereador João Cláudio Derosso (PSDB) se reelegeu ontem para a presidência da Câmara Municipal de Curitiba. Este será o quarto mandato consecutivo dele no comando do Poder Legislativo. Nunca na história da Câmara um vereador ficou tanto tempo no cargo. Seis integrantes do bloco de oposição anularam o voto, como haviam prometido, por não concordarem com a forma que foi conduzido o processo.
A tentativa dos opositores de anular, judicialmente, a eleição, alegando desrespeito ao regimento da Casa, fracassou. O mandado de segurança ajuizado na manhã de ontem foi indeferido pela Justiça. O bloco de oposição composto por seis vereadores do PT e dois do PMDB alegou que Derosso teria antecipado as eleições para neutralizar qualquer possibilidade de debate e inviabilizar a formação de uma chapa opositora.
Três vereadores não participaram da eleição. Jair Cézar (PSDB) justificou a ausência. Clair da Flora Martins e Jorge Samek ambos do PT não chegaram a tempo para a votação, que durou cerca de cinco minutos. A sessão prosseguiu com ataques mútuos da oposição e da base governista, que é maioria na Câmara (27 vereadores).
O único vereador a permanecer na mesa executiva, além de Derosso, é Osmar Bertoldi (PSDB), no cargo de 1º secretário. Fábio Camargo (PSC) assume a 1 vice-presidência, Sabino Picolo (sem partido) fica na 2 vice-presidência, Celso Torquato (PMDB) como 2º secretário, Jotapê (PSB) e Julieta Reis (PFL) assumem, respectivamente, a 3 e 4 secretarias.
Os vereadores Marcelo Almeida e Paulo Salamuni (os dois do PMDB) voltaram a afirmar ontem que vão pedir à direção do partido a desfiliação de Torquato. Eles afirmam que, em reunião de deputados estaduais e federais do partido, foi decidido que nenhum membro do PMDB faria parte da mesa.
Torquato se defendeu dizendo que não havia qualquer orientação oficial do PMDB para que não integrasse a mesa, mesmo que numa chapa majoritariamente constituída por partidos da situação. ''Temos um governador (Roberto Requião). Não podíamos ficar sem representação na Câmara'', argumentou.
Um dos planos de Derosso, a partir de janeiro de 2003, é desengavetar o projeto de reforma física da Câmara, que prevê a construção de um novo plenário e restauração do que é usado atualmente. O prédio histórico servirá apenas para sessões solenes. Com o novo espaço, o presidente diz que será possível, inclusive, implantar a TV Câmara, uma das principais reivindicações da oposição.
Derosso negou as acusações da oposição de que ele teria antecipado a eleição como manobra política, mas admitiu que não queria qualquer tipo de interferência externa no processo. ''Eles (a oposição) estavam buscando apoio fora (na Assembléia Legislativa e Câmara de Deputados). Não sei quem os apoiaria, mas já tinha uma fumaça no ar'', declarou.


