Oito vereadores e ex-vereadores londrinenses denunciados em uma ação criminal por concussão, corrupção e formação de quadrilha, foram ouvidos ontem pela manhã, pelo juiz da 3 Vara Criminal, Marcos José Vieira. Os depoimentos foram requisitados devido à inclusão dos nomes de Jamil Janene (PMDB), Luiz Carlos Tamarozzi e Sidney de Souza (PTB) e Gláudio Renato de Lima (PT).
A ação criminal foi gerada pela prisão em flagrante do ex-vereador Henrique Barros, em 10 de janeiro, de posse de R$ 9,9 mil que admitiu depois, em depoimento à Polícia Civil, ser fruto de propina.
Barros e o ex-vereador Orlando Bonilha foram os primeiros a chegar, por volta das 9 horas. Sidney, Tamarozzi, Jamil, Gláudio, Flávio Vedoato e Osvaldo Bergamim chegaram logo depois. Renato Araújo também deveria prestar depoimento, mas não compareceu. O advogado dele, Adolfo Góis, que acompanhou os depoimentos, justificou a ausência do cliente por motivos de saúde.
Os acusados foram ouvidos individualmente e confirmaram as informações fornecidas nos primeiros depoimentos ao Ministério Público, negando qualquer tipo de envolvimento, apesar das denúncias de Bonilha. A maioria não falou com a imprensa alegando que os depoimentos estavam sob segredo de justiça. Ao sair do depoimento, Jamil Janene afirmou nunca ter participado de nenhuma reunião secreta na Câmara para discutir sobre distribuição de valores em dinheiro. ''O ex-vereador (Bonilha) para tentar se livrar da prisão fez um acordo com o Ministério Público e fez as denúncias. Contra mim só tem a fala dele.''
A advogada de Jamil, Adriana Gonçalves, entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça (TJ), para que o cliente não fosse ouvido nesta solicitação da 3 Vara por ''ausência de justa causa ou a falta de provas''.
O pedido foi indeferido pelo TJ, mas o despacho teria determinado o segredo de justiça do caso. A determimação foi encaminhada ao cartório da 3 Vara no momento da audiência.
Para o promotor Jorge Fernando da Costa, que acompanhou os depoimentos, a decisão do TJ teve entendimento dúbio. ''Não fica claro se o pedido de segredo de justiça se refere ao habeas corpus ou aos depoimentos. Na dúvida, optou-se por manter os depoimentos em sigilo até que o documento seja esclarecido.''

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