Justiça ouve testemunhas em ação de tráfico de influência
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Paula Barbosa Ocanha<BR> Reportagem Local 
O juiz da 8 Vara Cível, José Alvarez Viana, ouviu ontem seis testemunhas na ação civil pública que acusa o vereador afastado Joel Garcia (sem partido) de tráfico de influência. O caso foi levado ao MInistério Público (MP) pelo secretário de Gestão Pública, Marco Cito, e o prefeito Barbosa Neto (PDT), que alegam que o vereador teria pedido que a empresa de hortifrutigranjeiro de sua esposa, Margarete Garcia, passasse a frente das demais que disputavam a licitação para merenda escolar feita pela prefeitura. A empresa da família de Joel Garcia ficou em quarto lugar na licitação. Segundo a ação, o vereador teria pedido para que as empresas fossem desclassificadas alegando que se isso não acontecesse, votaria contra os projetos do prefeito na Câmara Municipal.
''Houve um pedido de favorecimento e uma clara ameaça. O vereador Joel Garcia afirmou que se a situação não fosse resolvida, votaria contra os projetos do prefeito na Câmara. Apresentei a ação porque, ao meu ver, ele teve uma conduta que não condiz com sua função. Agora o juiz vai analisar os depoimentos e quem vai decidir se isso confere ou não é o Ministério Público'', afirma Marco Cito. Entre as testemunhas ouvidas ontem estão o prefeito, o vice-prefeito, Margarete Garcia, além do diretor e do gerente de licitações da prefeitura.
''Eu sei o que aconteceu. Além disso há muitas pessoas que confirmam essa situação. Eu desclassifiquei a primeira empresa que venceu a licitação por motivos legais. Mas, a segunda e a terceira empresa não tinham como ser desclassificadas, e era isso que ele pedia. Quando houve problema com a licitação eu sugeri abrir outra, e ainda falei para que o Joel concorresse novamente, mas então ele ameaçou virar vereador de oposição'', afirma Cito.
Segundo o advogado de Joel Garcia, Alexandre Aquino, Cito é a única pessoa que confirma a situação. ''A única pessoa que afirma que se sentiu ameaçado foi ele. As demais testemunhas, em nenhum momento, na instrução que se realizou hoje (ontem) confirmaram que viram, ouviram ou ainda que foram pressionadas pelo vereador.''
Aquino ainda afirma que ''o ponto controverso da questão é se Joel Garcia efetivamente pediu algo no sentido de favorecimento para a licitação ou não''. ''Dentro do procedimento feito hoje (ontem) não ficou comprovado isso'', finaliza.
A promotora do caso, Sandra Koch, não quis comentar o caso, mas afirma que o Ministério Público tem 10 dias para dar o parecer. ''Barbosa e o vice-prefeito não concederam entrevista ao sairem da audiência.


