O juiz da 1ª Vara Criminal Federal, Casem Mazloum, ouvirá hoje a engenheira da Universidade de São Paulo (USP), Ivone Carneiro Rafael, e o ex-diretor de operações internacionais do Banco Santander, Nelson Tetsuo Sakagushi. Eles são testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público Federal (MPF) no processo que apura o superfaturamento das obras do Fórum Trabalhista na Capital. Os réus do processo são o foragido ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, o senador cassado Luiz Estevão e os empresários Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz, sócios da Incal Incorporações.
O ex-juiz responde pelos crimes de estelionato contra entidade de direito público, formação de quadrilha, peculato e corrupção passiva. Já o ex-senador é acusado dos crimes de estelionato contra entidade de direito público, formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica e corrupção passiva. Os empresários respondem pelos crimes de estelionato contra entidade de direito público, formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, falsidade ideológica e uso de documento falso.
O ex-diretor do Banco Santander foi arrolado como testemunha porque trabalhava nessa instituição financeira, onde o juiz foragido Nicolau dos Santos Neto tinha contas. Ontem, Sakagushi disse que conheceu Nicolau apenas como cliente, mas negou que administrasse suas contas. Ele disse ainda não ter conhecimento de remessa ilegal de recursos para contas do juiz nas Ilhas Caymann e na Suíça.
Além das testemunhas de acusação que depõem hoje, o juiz vai ouvir, no dia 29, o engenheiro do Tribunal de Contas da União (TCU), Wagner José Gonçalves, e o ex-funcionário da Incal, José Ricardo Bittencourt Noronha, que foi assessor direto do empresário Monteiro de Barros Filho. Todas as audiências estão marcadas para as 13h30. Como o processo está sob segredo de Justiça, os depoimentos ocorrem a portas fechadas.
A promotora da República Janice Ascari informou que os engenheiros irão depor neste processo porque participaram da auditoria das obras do Fórum Trabalhista e constataram que 64% das obras estavam concluídas, sendo que 98% de recursos já haviam sido consumidos. Os engenheiros deveriam ter prestado depoimento ontem. No entanto, as audiências foram adiadas porque o depoimento do ex-gerente financeiro da Incal Regis Minchetti durou mais de quatro horas.
No depoimento, Regis Minchetti disse que circulavam informações na Incal de que o senador cassado tinha participação direta na construção do Fórum. Ele afirmou também que o ex-senador frequentava a sede da empresa e participava de reuniões a portas fechadas com os proprietários. Ele disse, ainda, ter presenciado a emissão de cheques nominativos a várias empresas do Grupo OK, de propriedade de Estevão. Segundo ele, a administração financeira e contábil da Incal era muito confusa.
Na saída do depoimento, Fábio Monteiro de Barros disse que o depoimento de seu ex-funcionário não trouxe nenhuma informação nova. ‘‘Vale lembrar que ele tem opiniões contraditórias em relação à empresa, já que é ex-funcionário e move processo trabalhista contra a companhia’’, argumentou. Já o ex-senador deixou o prédio da Justiça Federal sem dar nenhuma declaração.

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