Mais sete testemunhas de acusação foram ouvidas ontem pela juíza da 3 Vara Criminal, Oneide Negrão de Freitas, no processo em que 15 pessoas são acusadas pelo Ministério Público (MP) de corrupção, falsidade ideológica, formação de quadrilha e peculato, crimes que teriam resultado no desvio de R$ 318 mil do dinheiro repassado pelo município ao Instituto Gálatas, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que executava o Programa Saúde de Família em Londrina. Agora faltam apenas três pessoas para terminar esta primeira fase do processo.
Ontem foram ouvidos o estudante João Paulo Riquetti da Costa; dois policiais militares do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que trabalharam durante a operação Antissepsia, que investigou os desvios no Saúde e levou 21 pessoas à prisão; o comerciante Thiago César Marcello; duas pessoas ligadas à contadora Nafisse Ariss; e a conselheira municipal de Saúde, Maria Osvaldina Mello de Oliveira. A maioria saiu sem falar com a imprensa.
Arrolados pelo MP, a servidora pública Sandra Regina dos Santos Silva e o gerentes de projetos do Gálatas, João Roberto Quirino Júnior, serão ouvidos no próximo dias 15. A esposa do ex-procurador jurídico do município, Fidélis Canguçu (réu no processo), Joelma Aparecida da Silva, será ouvida pela Justiça de Arapongas, já que está residindo naquela cidade.
O promotor Cláudio Esteves, que assina a ação penal, disse que a maioria dos ouvidos ontem já havia prestado depoimento ao Gaeco e ratificaram as declarações iniciais, ''acrescentando detalhes importantes''.
Testemunhas
O estudante João Paulo Riquetti, que mantinha relacionamento com o presidente do Instituto Atlântico, Bruno Valverde (réu no processo porque teria passado notas frias ao Gálatas), afirmou em juízo que a primeira-dama Ana Laura Lino mantinha contato frequente com o presidente Atlântico, Oscip também acusada de desviar dinheiro da saúde.
Segundo o promotor, Riquetti disse à juíza que presenciou troca de mensagens de texto e ligações telefônicas entre Ana Laura e Valverde, mas desconhecia o conteúdo das conversas. ''Ele (Riquetti) e o próprio Bruno Valverde já haviam feito essas afirmações ao Gaeco. Neste processo, esta declaração não tem relevância, tanto que este questionamento não foi formulado pelo Ministério Público na audiência - mas por um advogado - porque aqui tratamos em relação ao Instituto Gálatas'', observou Cláudio Esteves. ''Mas pode haver relevância para aquela parte da investigação que foi remetida ao Tribunal de Justiça.'' A investigação deste caso está na Procuradoria-Geral de Justiça porque envolve o prefeito Barbosa Neto (PDT) e, por seu cargo, tem foro privilegiado.
Ana Laura, que seria ouvida neste processo como testemunha de acusação ontem, conseguiu habeas corpus do Tribunal de Justiça para não ser obrigada a depor, já que, segundo sua defesa, as declarações poderiam incriminá-la em eventual processo no TJ. O prefeito nega qualquer envolvimento de sua esposa ou seu no suposto esquema de corrupção na Saúde.
Canguçu, ao deixar a 3 Vara Criminal, deu respostas monossilábicas à imprensa, negando mais uma vez participação no esquema. ''Não sei de nenhum esquema'', afirmou. Ele permaneceu preso preventivamente por 58 dias. Contra o ex-procurador há a acusação de ter recebido propina para emitir pareceres favoráveis ao pagamento de serviços que não teriam sido prestados pelo Gálatas e glosados pela Secretaria de Saúde.

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