O juiz substituto da 3ª Vara Criminal de Londrina, Marcos José Vieira, toma hoje o depoimento de sete testemunhas de acusação dentro do processo em que os ex-vereadores Henrique Barros (sem partido) e Orlando Bonilha (PR) e os afastados Osvaldo Bergamin (sem partido), Flávio Vedoato (PSC) e Renato Araújo (PP) são acusados de formação de quadrilha e concussão. A audiência será a segunda do caso denunciado à Justiça pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no último dia 16 de janeiro, que deflagrou aquela que já é a maior crise nos 72 anos do Legislativo londrinense.
  Se não se ausentarem, essa será a primeira vez, ao menos publicamente, que os acusados de participar de suposto esquema de arrecadação ilícita de recursos ficarão frente a frente com os empresários Maurício de Biagi, Carlos Messas e Alexandre Guimarães. Foram eles que, em janeiro, depuseram no Gaeco ter pago cerca de R$ 40 mil a Barros para que matérias que os beneficiaram tramitassem, fossem aprovadas ou não sofressem retaliações na Casa. Os R$ 9,9 mil de suposta propina localizados com o então vereador Henrique Barros no momento de sua prisão em flagrante (10 de janeiro), por sinal, teriam parte de parcelas pagas por Guimarães e Biagi, naquele mesmo dia.
  Além dos três, compõem o rol de testemunhas de acusação, nesta audiência, um dos advogados de Guimarães, Ricardo Amorim – que depôs ter presenciado achaques de Barros –, e um de seus funcionários na boate Empório Guimarães, Rômulo Cotrim, que disse ter entregue ao ex-vereador, antes de este ser preso, um envelope com R$ 5 mil em dinheiro. Depõem ainda Camila Rodrigues, funcionária na empresa Higiban, de Biagi – que teria entregue a Barros outro envelope, a pedido do patrão –, e a escrivã que lavrou o auto de prisão em flagrante do ex-vereador, Rosane Araújo. Outras seis testemunhas de acusação serão ouvidas no próximo dia 13.
  De acordo com o promotor Jorge Barreto, que acompanhará a audiência, os depoimentos de hoje servirão para ‘‘eliminar qualquer suspeita de que tenha havido pressão por parte do Ministério Público’’ – conforme alegou Barros ao juiz da 3ª Criminal na primeira audiência, dia 7 de abril. Dias depois, o MP entregou ao magistrado as imagens da prisão e de conversas mantidas com o ex-vereador na sede do Gaeco, nas quais ele delatava outros nomes e parecia à vontade, disposto a ser ‘‘parceiro’’ nas investigações.
  Ontem, o juiz afirmou que não descarta determinar novo depoimento dos acusados; segundo ele, contudo, isso dependeria da audiência de hoje de manhã. ‘‘Preciso refletir sobre a questão, mas, antes, tenho que ouvir os depoimentos’’.

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