A Justiça Federal em Maringá ouve hoje 13 funcionários da agência Cidade Canção da Caixa Econômica Federal (CEF), onde era movimentada a principal conta corrente da prefeitura utilizada no esquema de desvio de dinheiro público. Todos os funcionários foram citados pela própria gerência do banco, como responsáveis pelo desconto de cheques. No depoimento que prestou no final de fevereiro à Justiça Federal, o ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi, principal acusado pelos desvios, confirmou que cheques de valores altos eram descontados ‘‘na boca do caixa’’.
Ele disse ao juiz Anderson Furlan Freire da Silva, da Vara Criminal Federal, que funcionários da secretaria de Fazenda ou da Caixa transportavam o dinheiro. A agência fica a cerca de 200 metros da prefeitura. Durante o depoimento, o juiz leu o nome dos 13 funcionários, mas Paolicchi alegou não se recordar de nenhum deles. O ex-secretário confirmou, no entanto, que cheques de valores elevados eram descontados regularmente e com o conhecimento de funcionários da agência.
Segundo fontes da Folha, dias antes de deixar a Secretaria de Fazenda, em junho do ano passado, Paolicchi descontou cerca de 70 cheques, sacando quase R$ 2 milhões. O juiz quer saber dos funcionários da Caixa como era feito o desconto de cheques - que chegavam a R$ 400 mil, quem fazia o transporte e para quem o dinheiro era entregue na prefeitura.
A conta número 06000002-8, agência 1546 da Caixa, movimentou mais de R$ 2,6 milhões entre dezembro de 1998 a março de 99, atitude que originou a denúncia contra Paolicchi e os servidores Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa. Os cheques eram emitidos nominais à própria prefeitura ou à Caixa. Alguns eram descontados, outros trocados por cheques administrativos e depositados em contas indicadas por Paolicchi.
Os mais de R$ 2,6 milhões movimentados em quatro meses somam 46 cheques, todos nominais à prefeitura com ordem de destinação via documento bancário para a conta de Waldemir Corrêa, na época funcionário particular de Paolicchi. Outros R$ 549 mil em cheques emitidos da mesma forma foram parar na conta do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido), também acusado de participar do esquema de desvios.
Cinco colheitadeiras, compradas ano passado para as fazendas de Gianoto e Paolicchi em Nova Mutum (MT), também foram compradas com cheques da conta na Caixa. O ex-prefeito pagou insumos e a construção de dois silos na fazenda dele no Mato Grosso, com cheques da conta da prefeitura na Caixa. No total os valores ficam próximos de R$ 3 milhões. No final de fevereiro, a Justiça determinou o sequestro dos silos, máquinas e colheita de soja das propriedades.
Na Justiça Federal, Paolicchi, Sossai, Rosimeire e Corrêa respondem por crimes de peculato, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

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