Belém- O juiz da 10 Vara Cível de Ananindeua (PA), Antonio Jairo de Oliveira Cordeiro, determinou na quinta-feira que a Google do Brasil retire do YouTube, no prazo máximo de dez dias, dois vídeos onde o prefeito do município, Helder Barbalho (PMDB), aparece reunido com umbandistas, durante a campanha eleitoral passada. Nos vídeos, editados por adversários políticos do prefeito, Barbalho é chamado de ''macumbeiro'', sugerindo que ele e seu pai, o deputado federal Jader Barbalho (PMDB), teriam feito ''pacto com o demônio'' para ganhar eleições no Pará.
O prefeito também pede na ação judicial contra a Google o pagamento de indenização por danos morais, mas isso terá de ser feito em outro processo. Em 2008, época em que os vídeos apareceram no YouTube, Barbalho era candidato à reeleição e vinha cumprindo extensa agenda de campanha. Em um desses compromissos, ele compareceu a evento organizado por uma comunidade afro religiosa ligada a umbanda. Pais e mães de santo manifestam simpatia pelo candidato.
Segundo Cordeiro, sua decisão ''não configura censura ou controle editorial prévio sobre o conteúdo do sítio'', mas somente ''restringe o acesso'' aos vídeos apontados. Para o juiz, o preconceito religioso que emana dos vídeos sem áudio, apresenta legendas que evidenciam a ''intolerância contra a prática de outros credos ou cultos religiosos''.
Barbalho disse ao ter sido agredido em sua imagem de homem público por pessoas movidas por ''comportamento medieval'' e incapazes de aceitar, numa sociedade civilizada, o ''pluralismo religioso''. Na avaliação do prefeito, a tentativa de jogá-lo contra outras religiões não só não deu certo como ainda revelou o perfil ''discriminador e intolerante'' dos adversários.
Sobre o valor da indenização que pretende obter do Google, Barbalho adiantou que prefere deixar a critério do juiz. ''Estou feliz com a decisão da justiça, porque isso demonstra que pessoas lesadas em sua honra e imagem podem obter reparação'', resumiu o prefeito de Ananindeua.
A diretoria de comunicação da Google Brasil foi procurada, mas até o fechamento desta reportagem não retornou para comentar a decisão da justiça paraense em favor de Helder Barbalho.

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