A Justiça Eleitoral de Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina) vai apurar se houve abuso de poder econômico por parte dos candidatos a prefeito Adelino Margonar (PMDB) e a vereador Irineu Viegas (PMDB), da coligação ''Unidos por Cambé''. Os dois foram notificados esta semana. Segundo o chefe do cartório eleitoral de Cambé, Mateus Oliveira de Castro, no último domingo, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão, foram recolhidos cartelas de bingo, um globo e brindes no comitê da coligação, onde estavam cerca de 70 pessoas.
Conforme Castro, a denúncia de que ocorreria um bingo naquele dia foi feita pela coligação ''Cambé da Gente'', cujo candidato a prefeito é Armando Jairo da Silva Martins (PSC). O candidato entrou com um pedido de liminar para que fosse investigada a ocorrência de chás e bingos gratuitos. O pedido foi deferido ainda no domingo pelo juiz da 78 Zona Eleitoral, Ricardo Luiz Gorla.
Segundo Castro, a Justiça Eleitoral vai apurar a responsabilidade de cada um. ''Se houve ou não crime de poder econômico será avaliado'', afirmou. A pena nesses casos, conforme ele, é inegibilidade por três anos, cassação do registro ou cassação do diploma. De acordo com Castro, o artigo 41 A da lei 9.504/97 proíbe o candidato doar ou oferecer qualquer benefício indevido ao eleitor.
Segundo João Eugênio Fernandes de Oliveira, advogado da coligação ''Unidos por Cambé'' e do candidato a prefeito, Adelino Margonar, a defesa deverá ser apresentada ainda esta semana. Conforme ele, o prefeito não sabia de nada e simplesmente apareceu no comitê porque havia sido convocado para uma reunião. ''Minutos depois que ele chegou ao local, chegou o pessoal da Justiça Eleitoral. Não estava acontecendo nenhum bingo'', disse Oliveira, que, no entanto, admitiu que havia materiais que caracterizavam um bingo. O advogado acrescentou que quem organizou a reunião foi o candidato a vereador Irineu Viegas, que nem havia chegado ao local. A reportagem tentou falar com o candidato a vereador, mas não conseguiu contato.

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