Justiça notifica Câmara para retorno de Mario Takahashi
Vereador, afastado desde janeiro de 2018, retorna ao cargo na quinta-feira; presidência da Casa continuará com Ailton Nantes, eleito neste ano
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de junho de 2019
Vereador, afastado desde janeiro de 2018, retorna ao cargo na quinta-feira; presidência da Casa continuará com Ailton Nantes, eleito neste ano
Guilherme Marconi - Grupo Folha 

O juiz Délcio Miranda da Rocha, da 2ª Vara Criminal de Londrina, enviou nessa terça-feira (11) ofício à Câmara Municipal de Londrina determinando que se cumpra o acórdão do TJ (Tribunal de Justiça) do Paraná que concedeu habeas corpus a Mario Takahashi (PV). O vereador, que está afastado do cargo desde janeiro de 2018 a pedido do MP (Ministério Público), deve retornar às atividades nesta quinta-feira (13). A cadeira, neste ínterim, foi ocupada pelo suplente da coligação Valdir dos Metalúrgicos (SD). Mesmo afastado, Takahashi conseguiu na Justiça o direito de continuar recebendo o salário de vereador, de cerca R$ 12 mil, durante a maior parte do período.
O afastamento da função era uma das medidas cautelares exigidas pelo MP. Neste período, Takahashi também estava proibido de frequentar o prédio do Legislativo, da Prefeitura de Londrina e de manter contato com demais réus e de se ausentar da cidade. No despacho, o magistrado não entrou em detalhe sobre as demais medidas. O juiz de primeiro grau deverá interrogá-lo em outubro dentro do processo criminal no qual apura suposto esquema criminoso de pedido de vantagens em projeto de lei para mudança de zoneamento urbano, deflagrado na Operação ZR3. Takahashi figura como réu pelos crimes de corrupção e organização criminosa.
O presidente da Câmara, Ailton Nantes (PP), disse que a Casa irá cumprir a decisão. Questionado sobre um suposto constrangimento e desgaste da imagem do Legislativo, o vereador minimizou. "Eu não posso prever o que vai acontecer com a chegada dele. Vamos recebê-lo como um vereador integrante da Casa. É uma decisão judicial que temos que acatar e não temos que emitir juízo de valor." Segundo ele, a reintegração de Takahashi ao cargo terá um prazo de 48 horas. "É um fato atípico e temos que dar tempo para exoneração dos assessores do suplente."
Takahashi foi afastado do cargo quando ocupava a presidência da Câmara, mas como houve nova eleição da Mesa Executiva no final de 2018, ele retornará apenas com as funções parlamentares e poderá compor comissões especiais que eram ocupadas pelo seu suplente.
DE SAÍDA
Já Valdir dos Metalúrgicos, antes de deixar oficialmente o cargo, considerou que a volta de um vereador investigado será um processo desgastante para o Legislativo. "Olha, aqui na Câmara deveria ter sido feito esse papel e eu fiz o meu: eu votei pela cassação. Mas, temos que respeitar a decisão. A gente lamenta. A gente está vereador, não é vereador." Sobre os fatos deflagrados de suposta influência de empresários para tentar fazer mudanças em leis específicas, o vereador disse que no seu curto período na Casa (uma ano e meio) não viu nada de anormal. "Não tive nenhum questionamento. Em todos os projetos que votei, me informei e li, não tive nenhum questionamento de nenhum setor."
Takahashi, junto com o vereador afastado Rony Alves (PTB), passou por um longo e desgastante processo de investigação interno numa Comissão Processante em 2018. Entretanto, em setembro, ambos foram absolvidos em plenário. Foram 12 votos favoráveis à cassação dos dois vereadores, três votos contrários (Jamil Janene, Guilherme Belinati e Gerson Araújo), três abstenções (Emanoel Gomes, Jairo Tamura e Péricles Deliberador), e Felipe Prochet (PSD) não compareceu.


