O juiz substituto da Vara Criminal Federal de Maringá, Alexei Alves Ribeiro, negou pedido de transferência do ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi, preso desde o início de dezembro do ano passado no quartel da Polícia Militar (PM) acusado de desvios de dinheiro da prefeitura. O pedido partiu do comandante do 4º Batalhão da PM, major Erbt Afonso Pinto da Silva, no dia 20 de junho, diante da possibilidade do quartel ser novamente cercado pelas mulheres dos policiais.
O major Erbt usou como justificativa a manifestação realizada pelas mulheres dos policiais militares em maio passado. Na época, elas cercaram o quartel, protestando e reivindicamento reajuste salarial para os maridos. Por causa da manifestação, ficou impedida a circulação dos militares. O juiz chegou a solicitar informações à 9ª Subdivisão Policial (SDP), que possui cela separada que poderia abrigar Paolicchi. Como a manifestação das esposas de PMs não aconteceu, o juiz acha que a transferência não seria necessária.
‘‘Se a Justiça achar que existe risco ao preso pode até determinar a prisão domiciliar ou recomendar um habeas-corpus’’, lembrou o secretário da Vara Criminal Federal, João Cláudio Caiçara Moraes da Silva. Por enquanto, segundo o secretário, nada justifica a mudança.
Um dos advogados de defesa do ex-secretário, Moisés Zanardi, disse que a transferência de Paolicchi para a 9ª SDP ‘‘nem chegou a ser cogitada’’, já que a manifestação das mulheres de PMs não se concretizou.
Acusado, na ação, com outros três servidores (Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemar Ronaldo Corrêa) de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha e peculato, Paolicchi aguarda a sentença da Justiça Federal no processo criminal. O caso trata do desvio de R$ 2,6 milhões.
Na área cível, o ex-secretário responde por improbidade administrativa junto com o ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido). Paolicchi é acusado de comandar o desvio de dinheiro público nos últimos oito anos, que, segundo o Tribunal de Contas do Estado, pode passar de R$ 100 milhões em valores atualizados. Por causa das denúncias de desvios, Paolicchi e Gianoto tiveram indisponibilizados pela Justiça maquinários, silos e safras de suas propriedades rurais, localizadas em Nova Mutum (MT).

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