Justiça nega novo afastamento de vereadores réus na ZR3
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sexta-feira, 13 de julho de 2018
Guilherme Marconi <br>Reportagem Local 

O juiz Marcos José Vieira, da Vara de Fazenda Pública, negou novo pedido feito pela Promotoria de Patrimônio Público de afastamento dos vereadores Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), investigados no âmbito da Operação ZR3, em suposto esquema de propina para alteração de projeto de zoneamento urbano. Mas autorizou a indisponibilidade de bens de mais de R$ 2 milhões. A ação de improbidade administrativa foi protocolada pelo promotor Ricardo Benvenhu contra os dois parlamentares e os demais envolvidos no suposto esquema desbaratado em fevereiro.
Os dois vereadores devem retornar à Câmara de Londrina em 24 de agosto, quando completa o período de seis meses de afastamento definido pela Justiça na esfera criminal. No despacho, o juiz alegou que o pedido de não se justificaria a alegação do MP de que uma vez nos cargos os dois vereadores poderiam continuar praticando os atos supostamente ilícitos de que são acusados.
A 26ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina havia ajuizado a primeira ação de improbidade administrativa relativa à Operação ZR3, que foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). A ação na esfera civil pediu afastamento cautelar de Takahashi e Alves (PTB). Os parlamentares já estavam afastados do cargo, por 180 dias, desde o início de fevereiro, por decisão da 2ª Vara de Criminal de Londrina.
"Usaram (Alves e Takahashi) e têm usado o exercício de suas atividades legislativas como importante 'veículo' para concretização de seus interesses pessoais e financeiros. De igual sorte, as pessoas que gravitam em seu entorno beneficiam-se dos atos ilícitos engendrados pelo grupo, causando enriquecimento ilícito, em decorrência destas ações ímprobas e delituosas", anotou o promotor de Justiça Ricardo Benvenhu.
O MP (Ministério Público) pediu ainda a indisponibilidade de bens dos 13 envolvidos que também já são réus em ação criminal na ZR3, além de seis empresas de consultoria imobiliária na ordem de R$ 2.154.370,40, o que foi mantido pelo juiz. A ação acusa 13 pessoas, além dos dois parlamentares, o servidor público Ossamu Kaminagakura (ex-diretor de Loteamentos da Secretaria de Obras) e Luiz Guilherme Alho (membro do Conselho Municipal da Cidade), que seria o suposto lobista do esquema que teria exigido vantagens de empresários para facilitar o trâmite de projetos de lei de mudança de zoneamento urbano tanto na Câmara Municipal de Londrina quanto na Prefeitura.
A ação do MP individualizou o papel de cada agente no suposto esquema que seria estruturado para obter as vantagens indevidas. "É induvidoso que os fatos noticiados nesta ação contribuem, a um só tempo, para o descrédito dos agentes públicos que desempenham função tanto na Prefeitura quanto na Câmara Municipal de Londrina, e da correspondente desmoralização destes órgãos perante a população", afirmou Benvenhu.
O MP também pediu na ação a devolução dos valores supostamente exigidos a título de propina, definindo o valor de R$ 1,4 milhão a Takahashi e R$ 1,35 milhão a Rony Alves. A Kaminagakura foi definido o valor de R$ 654 mil, e para os empresários Brasil Filho, Theodoro Mello de Souza, e Alho foi descrita na ação a quantia de R$ 1,49 milhão.
O QUE DIZEM OS CITADOS
A defesa de Luiz Guilherme Alho alega que não foi notificada e afirma que os promotores "querem apenas justificar os excessos cometidos na ação penal". "O Luiz Guilherme (Alho) reitera sua inocência como será provada no final do processo". A defesa de Mario Takahashi também informou que não teve acesso ao referido processo. O advogado de Ossamu Kaminagakura está em viagem e não teve acesso à ação de improbidade. A FOLHA não conseguiu contato com os advogados dos demais citados.


