Brasília - A promotora de Justiça do Distrito Federal Deborah Guerner e seu marido, Jorge Guerner, permanecerão presos na carceragem da Polícia Federal em Brasília. O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) João Otávio de Noronha negou o pedido de liminar do advogado dos dois para que fossem colocados imediatamente em liberdade. O casal Guerner foi preso na quarta-feira, dia 20, suspeito de estar atrapalhando as investigações do Ministério Público (MP).
Em sua decisão, Noronha afirmou que as circunstâncias descritas pelo MP no pedido de prisão não recomendam que Deborah e seu marido sejam postos em liberdade. No entendimento do ministro, há acusações graves contra os dois e indícios relatados pelo MP de que o casal estaria agindo de forma reiterada com o intuito de atrapalhar as investigações e a instrução criminal do processo aberto em razão do escândalo do mensalão do DEM no governo de José Roberto Arruda.
Os advogados de Deborah e de Jorge podem recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular, ainda durante o feriado, a prisão preventiva decretada pela desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1 Região Mônica Sifuentes. Outra possibilidade seria esperar que o STJ julgasse na próxima semana o mérito do habeas-corpus.
Conforme a decisão da desembargadora, Deborah tenta induzir o MP e a Justiça ao erro ao fingir ter problemas mentais. Além disso, com essa estratégia, Deborah estaria colocando em risco a credibilidade das instituições públicas.
Gravações
Essa constatação foi feita pelo MP a partir de gravações em que Deborah e médicos estariam combinando a elaboração de documentos falsos para que ela alegasse ter problemas mentais e com isso atrapalhar o andamento dos processos abertos contra ela e o marido. No pedido de prisão, o MP argumenta que o casal, mesmo sabendo estar sob investigação, não parou de cometer outros crimes, o que poderia atrapalhar as investigações.
Deborah é apontada como o braço no MP do Distrito Federal no esquema de corrupção desmantelado em 2009 com a deflagração da Operação Caixa de Pandora. Ela e seu superior hierárquico - o ex-procurador-geral do MP do DF, Leonardo Bandarra - são suspeitos de cobrar propina do ex-governador José Roberto Arruda em troca de vista grossa a possíveis irregularidades que pudessem ser cometidas durante sua gestão.

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