Justiça nega devolução de quase R$ 300 mil de empresário preso na ZR-3
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terça-feira, 06 de março de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
O empresário Luiz Guilherme Alho, preso preventivamente na Operação ZR-3, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) para investigar um suposto esquema de corrupção que favoreceria agentes públicos para mudanças pontuais de zoneamento, não terá de volta, pelo menos por enquanto, os quase R$ 300 mil apreendidos pelos policiais no início dos trabalhos, em janeiro. A decisão é do juiz da 2ª Vara Criminal de Londrina, Delcio Miranda da Rocha, e saiu no final da tarde desta segunda-feira (5). A quantia em espécie foi encontrada durante o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão.

O advogado Luciano Molina, que representa Alho, justificou ao magistrado que o valor condiz com o faturamento da Global Consultoria Imobiliária, da qual é proprietário. Com a proibição de atuar no negócio, a defesa argumentou que o empresário estaria passando "por dificuldades financeiras". O Ministério Público se opôs ao pedido, esclarecendo que "há suspeitas de que o montante foi adquirido de maneira ilegal, tanto que foi apreendido durante as apurações de organização criminosa e corrupção ativa".
A versão do acusado não foi aceita pelo juiz Delcio Rocha. "Não há como afirmar que o dinheiro é integralmente lícito, já que ele (Alho) foi denunciado porque assumia uma função de interlocução entre diferentes setores. Assim, ficam reforçados as medidas que inicialmente ampararam a decisão que deferiu a busca. Também não há prova cabal de que o recurso seja proveniente de renda obtida por sua empresa", disse. No começo da ZR-3, Luiz Guilherme Alho usou tornozeleira eletrônica e foi afastado do CMC (Conselho Municipal da Cidade) por 180 dias.
"Foi demonstrado cabalmente a transparência do montante. Eu apensei as notas fiscais e as origens de tudo. Está tudo declarado na Receita Federal. Hoje em dia, deixar dinheiro embaixo do colchão é proibido.", ponderou Molina. Em fevereiro, Alho e outras 12 pessoas, como os vereadores Mário Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), que permanecem fora da Câmara Municipal, foi denunciado pelo MP por conta do possível envolvimento nos fatos descobertos pela operação do Gaeco. Porém, a situação de Alho na ZR-3 mudou de panorama na semana passada. Alho, Ossamu Kaminakagura (servidor há mais de 20 anos da Secretaria Municipal de Obras) e Vander Mendes Ferreira (empresário) foram detidos preventivamente.
O Gaeco abriu cinco inquéritos referentes à ZR-3. O trio permanece preso na PEL 1 (Penitenciária Estadual de Londrina). Como têm ensino superior, eles estão em celas separadas. No CMC, Alho foi substituído pelo economista Rubens Bento, que irá atuar na revisão do Plano Diretor. Enquanto isso, dois investigados já conseguiram a retirada da tornozeleira. Esse é o caso da ex-presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano), Ignês Dequech, e o ex-secretário do Ambiente, Cleuber Moraes Brito, na gestão Alexandre Kireeff.
(atualizado às 12h30)


