Curitiba - Os oito supostos responsáveis pela compra irregular de créditos tributários indevidos da massa falida da empresa Óleos Vegetais do Paraná (Olvepar) ainda não foram citados na ação civil pública por improbidade administrativa movida no dia 27 de fevereiro de 2002 pelo Ministério Público (MP) estadual. A petição inicial foi protocolada na 3 Vara da Fazenda Pública de Curitiba. Os créditos foram comprados a ''toque de caixa'' no final do governo Jaime Lerner (PSB) pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), com o aval do então presidente Ingo Hubert, que acumulava na ocasião o cargo de secretário de Estado da Fazenda e era responsável pela transição aparentemente amistosa dos governos Lerner e Roberto Requião (PMDB).
O pagamento foi feito em três vezes, todas no mês de dezembro. Os cheques foram assinados no valor de R$ 13,2 milhões cada, perfazendo um valor total de R$ 39,4 milhões. A auditoria interna da Copel confirmou que os procedimentos padrões não foram realizados. A transação não tinha liberação oficial em papel timbrado da Receita Estadual, o pagamento foi feito para pessoas físicas e empresas jurídicas (e não para a própria Olvepar, como deveria ter sido), os cheques não foram cruzados.
Outro procedimento irregular foi o fato de um dos funcionários responsáveis por setores estratégicos da Copel ter ido até o banco acompanhando os supostos representantes legais da Olvepar, entre eles o doleiro Alberto Youssef (preso há três meses por remessa ilegal de dólares ao Exterior) que tinha negócios em Londrina. Outra ação, desta vez criminal, foi ajuizada pelo MP e recebeu defesa prévia. As testemunhas arroladas pelo MP deverão ser ouvidas a partir desse mês.
Criminalmente, o MP chegou a pedir a prisão preventiva de todos os envolvidos. Exceto Ingo Hubert, os demais chegaram a ficar presos por três dias. A prisão foi relaxada pelo desembargador do Tribunal de Justiça (TJ), Leonardo Lustosa.
O caso Olvepar também chamou a atenção para outras empresas, que teriam recebido dinheiro mesmo sem ter participação acionária na massa falida. A carioca Mix Trade Comércio Internacional que recebeu R$ 2,5 milhões. A empresa recebeu dinheiro de outra transação feita pela Copel com a Adifea, que analisou créditos já verificados pela própria estatal e recebeu R$ 15 milhões.
Em depoimento à CPI da Copel, que entregou o relatório final ao MP no dia 18 de dezembro, Hubert disse que a transação foi normal e teve o aval verbal e escrito (mesmo sem timbre oficial) da Receita Estadual. Para ele, a compra dos créditos da Olvepar possibilitou o pagamento de uma dívida de R$ 49,7 milhões que a estatal tinha com o governo do Estado. Para o governo Requião, a compra foi irregular. Por isso, os créditos foram anulados através de um decreto estadual.

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