Justiça mantém tornozeleira em mais dois réus da ZR-3
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sexta-feira, 16 de março de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 

O juiz da 2ª Vara Criminal de Londrina, Delcio Miranda da Rocha, manteve nesta quinta-feira (15) as medidas cautelares, como a tornozeleira eletrônica, em Evandir Duarte de Aquino, ex-assessor do vereador afastado Rony Alves (PTB), e do empresário Homero Wagner Fronja. Os dois são réus da Operação ZR-3, deflagrada no dia 24 de janeiro pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) para apurar a existência de um possível esquema de corrupção entre agentes públicos e da iniciativa privada para mudanças pontuais de zoneamento em Londrina. Treze pessoas foram denunciadas por 15 fatos criminosos diversos pelo Ministério Público.
De lá pra cá, alguns conseguiram a revogação do monitoramento, como a ex-presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano), Ignês Dequech, e o ex-secretário do Ambiente, Cleuber Brito, na gestão Alexandre Kireeff. Outros três terminaram presos preventivamente em desdobramentos da ZR-3, mas dois já deixaram a cadeia. Esse é o caso do empresário Luiz Guilherme Alho, agora em prisão domiciliar, e de Vander Mendes Ferreira, que conseguiu um habeas corpus no TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná). A liminar foi deferida pelo desembargador Luis Carlos Xavier, da 2ª Câmara Criminal.
O servidor da Secretaria Municipal de Obras, Ossamu Kaminakagura, na prefeitura há mais de 20 anos, continua na PEL 1 (Penitenciária Estadual de Londrina). Os advogados de Aquino e Fronja utilizaram argumentos diferentes nas petições encaminhadas à 2ª Vara Criminal. No caso do ex-assessor da Câmara Municipal, a defesa alegou que, após a exoneração, o réu não deveria mais ser submetido á medida restritiva. Para resguardar "a ordem pública", os promotores queriam o indeferimento do pedido. O juiz Delcio Rocha entendeu de que Aquino ainda pode oferecer risco às investigações.
Na estrada quando contactado pela FOLHA, o advogado João Maria Brandão disse que não comentaria a decisão do magistrado, mas revelou que, por enquano, não pretende reaver o despacho em primeira instância. Já Homero Fronja solicitou que a Justiça convertesse a tornozeleira e outras obrigações em comparecimento mensal ao Fórum. O motivo seria o receio de sofrer novos ataques criminosos depois do assalto em fevereiro, quando disse que sua residência foi invadida por ladrões.
Segundo a denúncia, dois homens, armados com pistolas, levaram três televisores, celulares e jóias. O carro, também roubado, foi encontrado pela Polícia Militar perto da Estrada do Limoeiro, no extremo leste de Londrina. O caso é alvo de um inquérito aberto pelo Gaeco. A reportagem tentou contato com Águila, mas o celular dele estava desligado. No escritório, a secretária confirmou que ele não estava por lá e não poderia repassar outro contato.
Nesta semana, os 13 réus da ZR-3 arrolaram 83 testemunhas, algumas bem conhecidas, como o presidente do CMC (Conselho Municipal da Cidade), Rodrigo Zacaria, o secretário de Governo, Marcelo Canhada, de Obras, João Verçosa, de Agricultura e vice-prefeito, João Mendonça.


