Justiça mantém prisão de Cacciola
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Fabiana Futema<br>Folhapress 
Brasília - A Justiça de Mônaco manteve a prisão do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, informou hoje o Ministério da Justiça brasileiro. Foragido desde 2000, Cacciola foi preso no sábado em Mônaco pela Interpol. O ministério não soube informar o prazo da prisão. O mais provável é que a Justiça de Mônaco aguarde o envio do pedido de extradição do Brasil - que deve ocorrer até sexta-feira. O governo brasileiro está traduzindo para o francês o processo contra Cacciola.
No entanto, Carlos Ely Eluf, advogado de Cacciola, negou que a Justiça de Mônaco já tenha determinado a prisão de seu cliente. ''Por precaução, ele sob custódia da Justiça. Ele não está oficialmente preso.''
Eluf disse que o juiz deu a Cacciola o direito de ''reivindicar'' a liberdade a qualquer momento. ''Podemos entrar hoje, amanhã, a qualquer momento com o pedido de liberdade. O mais provável é que a Justiça só se manifeste após o pedido formal de extradição do Brasil'', disse o advogado para a Folha Online por telefone.
O advogado de Cacciola afirmou ainda que a Itália entrará no caso em favor de Cacciola. ''Com a entrada do governo italiano na história, a defesa de Cacciola fica fortalecida'', disse Eluf.
Procurada pela reportagem, nenhum representante da Embaixada da Itália no Brasil foi localizado para comentar a declaração do advogado de Cacciola.
O banco Marka quebrou com a desvalorização cambial de 1999. Mas contrariando o que ocorria no mercado, o Marka e o banco FonteCindam assumiram compromissos em dólar. O banco de Cacciola, por exemplo, investiu na estabilidade do real e tinha 20 vezes seu patrimônio líquido comprometido em contratos de venda no mercado futuro de dólar.
O BC socorreu as duas instituições, vendendo dólares com cotação abaixo do mercado, tentando evitar que quebrassem. A justificativa para a ajuda oficial às duas instituições foi a possibilidade de a quebra provocar uma 'crise sistêmica' no mercado financeiro.
Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6 Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola, à revelia, a 13 anos de prisão pelos crimes de peculato (utilizar-se do cargo exercido para apropriação ilegal de dinheiro) e gestão fraudulenta.
O então presidente do BC, Francisco Lopes, recebeu pena de dez anos em regime fechado e a diretora de Fiscalização do BC, Tereza Grossi, pegou seis anos. Os dois recorreram e respondem ao processo em liberdade.


