O empresário Carlos Evander Azarias, acusado pelo Ministério Público de comandar um esquema de fraudes no lançamento do IPTU, objeto de investigação da Operação Password, continuará detido no CIAC, antigo 4º Distrito Policial, na avenida Dez de Dezembro, onde está há 12 dias. A decisão de manter a prisão preventiva foi divulgada nesta terça-feira (18) pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Londrina, Delcio Miranda da Rocha. No despacho, o magistrado escreveu que o tratamento dado ao réu (Carlos) corresponde exatamente à sua situação dentro do processo, seus antecedentes e sua posição no grupo criminoso, como restou evidenciado pelas investigações realizadas. Outros membros estão momentaneamente em situação mais favorável. Isto reflete a peculiaridade pessoal de cada um dentro da apuração de suas condições e sua participação nos fatos".

Imagem ilustrativa da imagem Justiça mantém preso empresário acusado de fraude no IPTU
| Foto: Saulo Ohara/Grupo Folha


Carlos é pai de Camila Azarias, ex-estagiária da Secretaria Municipal de Fazenda, que, conforme o MP, também teria envolvimento na suposta organização criminosa. Outras 26 pessoas, dentre empresários e contribuintes, foram denunciadas na mesma ação, que foi acatada pela Justiça. As investigações apontaram um desvio superior a R$ 1 milhão. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), que deflagrou a Password em maio deste ano, ouviu mais de 100 pessoas e descobriu o cancelamento de débitos do tributo e alterações nas características de imóveis urbanos.

Os investigados estão respondendo pelos crimes de organização criminosa, estelionato e inserção de dados falsos em sistema de informações. Além do Ministério Público, a Corregedoria da Prefeitura de Londrina iniciou uma sindicância em junho de 2017 para apurar as possíveis fraudes. O caso também chegou à Câmara Municipal, que implantou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). O relatório final do grupo sugeriu que a administração municipal reforce o sistema de cadastro para evitar novas adulterações.

O advogado Carlos Lamerato disse à FOLHA que considera "desnecessária a prisão. Representa uma medida de extrema agressão às garantias de nosso cliente, uma vez que ela se caracteriza como antecipação de uma pena que pode nem vir a ser aplicada". No dia 10 de dezembro, o desembargador Mauro Bley Pereira Júnior, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, havia negado, em caráter liminar, a revogação da preventiva.

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