O juiz da 2ª Vara Criminal de Londrina, Délcio Miranda da Rocha, acatou nesta terça-feira (24) pedido do Ministério Público e prorrogou por mais 180 dias o afastamento dos vereadores Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), decretada na deflagração da Operação ZR-3, que investiga esquema de mudanças de zoneamento mediante pagamento de propina. O prazo determinado pela Justiça terminou nesta segunda-feira (23), mas a defesa dos parlamentares preferiu aguardar o despacho judicial como uma medida de cautela.

Vereador afastado Mario Takahashi faz pronunciamento na sessão em que foi instalada Comissão Processante
Vereador afastado Mario Takahashi faz pronunciamento na sessão em que foi instalada Comissão Processante | Foto: Devanir Parra/CML/Imprensa



O pedido de prorrogação do afastamento foi feito há dez dias. Nele, o MP afirma que a medida é necessária para preservar as testemunhas de acusação na audiência de instrução do processo criminal, marcado para 16 de outubro, além de preservação das testemunhas na CP (Comissão Processante) instaurada na CML (Câmara Municipal de Londrina) para investigar se houve eventual quebra de decoro por parte dos parlamentares.

Rony Alves durante sessão solene na Câmara de Londrina: afastamento mantido
Rony Alves durante sessão solene na Câmara de Londrina: afastamento mantido | Foto: Devanir Parra/CML/Imprensa



Na argumentação, o MP cita o episódio em que o empresário Júnior Zampar – considerado vítima do suposto esquema criminoso pelos promotores e uma testemunha para o processo no Legislativo – se sentiu coagido em seu depoimento na Câmara. A ocorrência levou o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) a abrir processo investigativo para apurar se houve ou não intimidação.

Além do afastamento, também foi mantida a proibição de os vereadores entrarem no prédio do Legislativo, à exceção das ocasiões em que há reunião da CP. O MP considera que, pelo fato de serem o atual presidente e ex-presidente da Câmara, ambos teriam influência sobre os outros parlamentares, o que reforça a necessidade do afastamento. "Eles poderiam sim influenciar de uma forma que lhes favorecesse a decisão da CP", disse o promotor Jorge Barreto, coordenador do Gaeco.

Com a manutenção dos afastamentos, permanecem na Câmara Valdir dos Metalúrgicos (SD) e Tio Douglas, respectivamente, suplentes de Mario e Rony.

Carneiro, advogado de Rony, e Anderson Mariano, defensor de Mario, já adiantaram que pretendem recorrer da decisão ao TJ (Tribunal de Justiça) do Paraná.

(Com informações do repórter Guilherme Marconi)

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