Justiça localiza títulos frios em Foz
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quinta-feira, 14 de setembro de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
A Justiça Eleitoral identificou 39 títulos de eleitor cadastrados irregularmente em quatro zonas eleitorais de Foz do Iguaçu. Enquanto os oficiais de Justiça procuram os verdadeiros endereços das pessoas envolvidas no caso, o juiz eleitoral tentará cancelar os documentos até o dia da eleição.
A fraude foi percebida depois que funcionários do cartório da 147ª Zona Eleitoral descobriram comprovantes de residência idênticos, usados por cinco pessoas com sobrenomes diferentes, durante o recadastramento realizado entre abril e maio. Outros 40 eleitores forneceram contratos de locação assinados pelo mesmo proprietário no último dia de cadastramento eleitoral (3 de maio). Resolvemos rastrear estas pessoas e comprovamos que muitos deles não moravam no endereço indicado. Agora faremos um edital de chamamento que dará um prazo de cinco dias para os envolvidos justificarem as irregularidades, explicou o juiz eleitoral da 147ª Zona, Marcelo Gobbo Dalla Déa.
Ele lembrou também que o caso será enviado ao Ministério Público para que seja aberta uma investigação criminal. Dalla Déa espera que dentro dos próximos 15 dias que antecedem as eleições, os títulos sejam cancelados. Caso contrário, as zonas eleitorais terão a listagem dos nomes no dia da votação para tentar identificar os fraudadores.
Ainda segundo as investigações da 147ª Zona Eleitoral, estão envolvidos no caso um advogado e um candidato a vereador de Foz. Eles não tiveram seus nomes divulgados. Em relação às pessoas que falsificaram o comprovante de residência, suspeita-se que brasiguaios (brasileiros que vivem em cidades paraguaias) tenham sido aliciados para que fraudassem os títulos de eleitor. A Justiça abrirá processos por falsidade ideológica e aliciamento, crimes que podem resultar em até cinco anos de prisão.
Este é o segundo caso de documentação irregular no Paraná. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, foram detectados cerca de 800 títulos suspeitos durante o recadastramento em maio. O caso está sendo investigado, mas, por enquanto, nenhum envolvido foi punido. As informações foram prestadas ontem à Folha pela assessoria do tribunal.
Tanto em Almirante Tamandaré quanto em Foz do Iguaçu a Justiça Eleitoral fará um novo recadastramento logo após as eleições. O trabalho não será feito imediatamente porque poderia prejudicar a votação marcada para 1º de outubro, argumentou o juiz Dalla Déa.


