Justiça liberta doleiros presos em Curitiba
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de setembro de 2003
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, José Luiz Germano da Silva, concedeu ontem habeas corpus para dois dos três doleiros presos em Curitiba por ordem da Justiça Federal. Gerhard Fuchs e Ernesto de Veer, condenados na quinta-feira a 14 anos de prisão e sem possibilidade de recorrer em liberdade, poderiam ser liberados ainda ontem à noite, desde que entregassem os passaportes ao juiz da 1 Vara da Justiça Federal de Curitiba, Oziel Francisco de Souza, autor da sentença.
O advogado Antônio Acir Breda, que fez o pedido de habeas corpus, disse que não havia risco dos condenados fugirem, como o juiz da Justiça Federal havia alegado. ''São réus primários e de bons antecedentes. Quando a Justiça estava investigando, compareceram a todos os atos e sempre avisaram quando iam viajar'', explicou. Fuchs e de Veer, que estavam presos na sede da Polícia Federal, haviam sido transferidos ontem à tarde para uma cela especial no Batalhão de Polícia de Guarda. O outro condenado, Orlando Luiz Miranda, que recebeu pena de dois anos de prisão, permaneceu na sede da PF.
De acordo com denúncia feita pelo Ministério Público Federal, Fuchs e Veer cometeram gestão fraudulenta e evasão de divisas via contas CC-5. Fuchs e Veer seriam proprietários da empresa Banordic Financial Corporation, uma off-shore nas Ilhas Virgens que recebeu dinheiro irregularmente.
Outra pessoa envolvida em crimes contra o sistema financeiro ainda está foragida. Daniel Navarro, ex-gerente-geral de uma agência Banestado em Curitiba, foi condenado pelo juiz da 3 Vara Federal Criminal, Nivaldo Brunoni, a nove anos e dois meses de reclusão em regime fechado e multa de 200 dias-multa. Cada dia-multa equivale a três salários-mínimos vigentes à época do crime.
Segundo o MPF, Navarro teria feito empréstimos bancários que beneficiaram comerciantes e empresários e causaram prejuízos ao Banestado. Ele atuou como gerente entre janeiro de 1992 a julho de 1995 (durante o primeiro mandato do governador Roberto Requião e parte do governo de Jaime Lerner). A reportagem não conseguiu localizar Navarro nem o advogado dele.


