Curitiba - O resultado da convenção do PMDB para escolher o novo presidente do partido em Curitiba só será conhecido dentro de alguns dias. Por decisão judicial, os votos não foram apurados ontem. As urnas foram lacradas e levadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), onde permanecerão fechadas até que a Justiça do Paraná julgue os recursos sobre a validade dos votos de cerca de 18 mil filiados, que está sendo questionada por uma das chapas.
A decisão do presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Oto Sponholz, determinando a não apuração dos votos foi entregue por um oficial de Justiça à executiva municipal, antes de iniciar a convenção. Mesmo assim, durante toda a manhã o presidente do diretório municipal Doático dos Santos, que concorre à reeleição com a tese de que o melhor para o PMDB é uma aliança com o PT já no primeiro turno em Curitiba, afirmou que não obedeceria a ordem, e que pretendia fazer a contagem dos 4,9 mil votos que não estão sub-judice.
Diante dessa posição, o clima da convenção foi bastante tenso, como já se previa durante a semana com a troca de ofensas. Para garantir o cumprimento da decisão, o oficial de Justiça Marcos Veronesi solicitou reforço policial. Cerca de 30 policiais militares, sendo 20 da Tropa de Choque da PM foram deslocados. O juiz auxiliar da presidência do TJ, Adalberto Xisto Pereira, também foi ao local para acompanhar o fechamento das urnas.
A pedido do presidente estadual do PMDB, deputado federal Gustavo Fruet, a convenção foi acompanhada por um observador do diretório nacional, o advogado Paulo Freire, que fará um relatório sobre o processo. Gustavo Fruet apóia o presidente do Departamento de Trânsito (Detran) do Paraná, Marcelo Almeida, que disputou contra Doático. Assim como Fruet, que pretende concorrer à sucessão de Cassio Taniguchi (PFL), no ano que vem, Marcelo Almeida defende o lançamento de candidatura própria em 2004, não ficando o PMDB assim automaticamente a reboque do PT, aliado do governador Roberto Requião (PMDB) desde as eleições passadas para o governo.
A convenção do PMDB em Curitiba foi marcada por muita reclamação. Algumas pessoas não conseguiram votar porque não encontraram seu nome nas listas, dentre as quais o irmão do governador, Wallace Requião de Mello e Silva. Outro problema foi a instalação de apenas uma mesa de coleta de votos para atender todos os 18 mil filiados que não fizeram o recadastramento.
O impasse sobre a legalidade dos votos começou porque Gustavo Fruet entrou recentemente na Justiça contra o diretório municipal. Fruet não concordou com o recadastramento comandado por Doático que reduziu os filiados do PMDB da Capital de 23 mil para 4,9 mil. Na sexta-feira, o grupo de Fruet obteve três liminares favoráveis, garantindo o voto dos 23 mil filiados, entre eles 350 que se filiaram este ano, mas tiveram o direito contestado pela executiva municipal. Estes votos, que estão sub-judice, foram tomados em separado. No total, incluindo os amparados por liminar, votaram 1.768 peemedebistas.

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