As movimentações bancárias do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF) no exterior poderão desvendar grande parte dos desvios de recursos das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, segundo os investigadores do grupo-tarefa do Ministério da Justiça. Na segunda-feira, o Departamento de Estado dos Estados Unidos enviou mais de 300 laudas com detalhes sobre a quebra de sigilo de Estevão no exterior, com transferências e depósitos que o ex-senador recebeu em quase três anos de movimentações financeiras, totalizando cerca de US$ 20 milhões.
Segundo um dos membros do grupo-tarefa, todos estão confiantes que as contas de Estevão, registradas como ‘‘Leo Green’’ e ‘‘James Tower’’, podem representar uma das ‘‘caixas-pretas’’ dos desvios do Fórum, que totalizaram R$ 196,7 milhões, entre 1992 e 1999. Os dados começam a ser comparados nos próximos dias. As primeiras investigações tinham revelado pelo menos uma transferência, de US$ 1 milhão, que Estevão fez de suas contas para a do juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, na Suíça.
Os investigadores não têm esperança de encontrar dinheiro nas contas de Estevão no exterior, mas dizem que as retiradas e depósitos revelarão mais fatos criminosos. Segundo membros do grupo, poderão surgir ‘‘novos envolvidos’’ no esquema de desvio.
O grupo-tarefa não acredita que Nicolau conseguirá desbloquear os US$ 3,8 milhões que mantém na Suíça, uma vez que a tradição da segunda instância da Justiça naquele país é de manter decisão da primeira instância, que não aceitou os argumentos do juiz. O governo brasileiro enviou as declarações de renda dos últimos dez anos de Nicolau, nas quais não aparece recebimento de herança.
O ministro da Justiça, José Gregori, recebeu sugestão do Ministério das Relações Exteriores para que todos os criminosos brasileiros que desviaram dinheiro para o exterior sejam investigados.

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