O delegado-chefe da Divisão de Narcóticos (Dinarc), Adauto Abreu de Oliveira, vai intimar o advogado Antônio Pellizzetti para prestar depoimento amanhã no inquérito que investiga o atentado à Promotoria de Investigações Criminais (PIC). A ordem para convocar Pellizzetti foi dada pelo juiz Joscelito Giovani Sé, da Central de Inquéritos, que acatou pedido do Ministério Público (MP).
Adauto não deu detalhes sobre os motivos que levaram à intimação de Pellizzetti. ‘‘Estou apenas cumprindo uma ordem do juiz’’, limitou-se a dizer o delegado. As investigações feitas até agora pela Dinarc e pelo Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Gerco) apresentaram indícios de que um advogado teria sido o mandante do incêndio criminoso na madrugada de 29 de dezembro.
No início da noite de ontem, Adauto pretendia ouvir um cabo lotado no 13º Batalhão da Polícia Militar, em Curitiba. Em depoimento a promotores da PIC, na terça-feira, o cabo Sezipanski (o primeiro nome não foi divulgado) afirmou que, numa conversa informal, o sargento Ademir Leite Cavalcante confessou sua participação no caso. O cabo e o sargento também passariam por uma acareação. Cavalcante e outros acusados de cometer o atentado, os policiais civis Mauro Canuto e Edson Clementino da Silva, o ‘‘Lambe-Lambe’’, tiveram os mandados de prisão temporária renovados na noite de terça-feira. Ontem à tarde foi divulgada a foto do segundo tenente Alberto Silva Santos, que está foragido. Ele e Lambe-Lambe são os únicos suspeitos de quem a polícia conseguiu provas para ligá-los ao atentado.
A prorrogação das prisões de Canuto e Cavalcante surpreendeu Adauto, que não tinha provas suficientes para incriminá-los. Vários jornais e rádios da capital noticiaram ontem a eventual libertação dos suspeitos. Três promotores da PIC - Vani Bueno, Cláudia Martins e Fábio Guaragni - assinaram o pedido de renovação dos mandados de prisão, que foi aceito pela Central de Inquéritos por volta das 22 horas de terça-feira.
O depoimento do cabo Sezipanski a promotores, além da renovação das prisões conseguida pelos próprios promotores deixaram Adauto irritado. Esses fatos causaram os primeiros desentendimentos entre promotores e policiais envolvidos na investigação. A iniciativa de ouvir o cabo antes que ele prestasse depoimento no inquérito contrariou as expectativas do delegado-chefe da Dinarc. ‘‘Achei estranho. Por isso pedi para que o cabo fosse ouvido aqui na delegacia’’, disse Adauto.
Por sua vez, o promotor Vani Bueno tentou passar um clima de harmonia nos trabalhos. ‘‘Não existe nenhum desentendimento. Muito pelo contrário. O nosso relacionamento é o melhor possível’’, afirmou. Bueno garantiu que os promotores vão respeitar a vontade de Adauto para que Antônio Pellizzetti deponha na Dinarc. ‘‘Ele (Pellizzetti) vai ser ouvido aqui.’’

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