Quarenta e três dias depois de receber denúncia do Ministério Público (MP), o juiz da 3 Vara Criminal de Londrina, Marcos José Vieira, decidiu instaurar ação penal contra os vereadores Orlando Bonilha (PR), Osvaldo Bergamin (PMDB), Renato Araújo (PP) e Flávio Vedoato (PSC), além do ex-vereador Henrique Barros (sem partido). A decisão saiu no mesmo dia em que a Comissão de Ética da Câmara de Londrina entregou relatório recomendando a cassação de Bonilha e livrando os demais parlamentares.
No despacho, Vieira assinala que ''são sérios os indícios de que os denunciados implantaram no recinto da Câmara Municipal uma organização criminosa com o objetivo de obter vantagens econômicas valendo-se da potestade de seus cargos''. Analisando as três ocasiões em que teria havido cobrança de propina de empresários para aprovação de projetos de lei - conforme depoimento dado por Barros em janeiro -, o magistrado aponta que em pelo menos uma houve fortes indícios da participação de todos os acusados.
É o caso que envolve o empresário Carlos Messas, o qual, segundo o MP, teria pago R$ 12 mil a Barros para ver aprovada uma lei de alteração de zoneamento urbano, em dezembro de 2007. O dinheiro teria sido entregue a Bonilha dentro de uma sala na Câmara, na presença dos demais denunciados. Citando depoimento de Barros, o juiz destaca que ele ''afirma categoricamente que todos eles (Vedoato, Bergamin e Araújo) tinham ciência do conteúdo do envelope e, perguntados se estava tudo certo, responderam com um gesto afirmativo''.
Quanto aos dois outros fatos apurados pelo MP - a exigência de dinheiro dos empresários Alexandre Guimarães e Maurício de Biaggi, também para aprovação de projetos - Vieira entendeu que os indícios, a princípio, apontam apenas para Barros e Bonilha. Afirmou ainda que, havendo elementos que apontem a autoria e a materialidade dos crimes, ''a dúvida há de ser resolvida em favor da sociedade, admitindo-se a acusação''.
Ao mesmo tempo em que acatou a denúncia, o juiz revogou o segredo de Justiça dos autos. E confirmou o que até então só havia sido divulgado por advogados: as famosas gravações de conversas telefônicas de Barros, usadas também pela Comissão de Ética da Câmara, ''não resultaram em elementos de provas úteis quer à acusação, quer à defesa''.
O interrogatório dos reús foi marcado para o dia 7 de abril, às 9h30. Em suas defesas prévias, os quatro vereadores negaram todas as acusações. O advogado de Bonilha, Ronaldo Neves, fez questão de ressaltar que ''enquanto os demais vereadores foram inocentados pela Comissão de Ética, que pediu a cassação apenas de Bonilha, o juiz entendeu que todos praticaram o delito''.

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