Justiça impediu fuzilamento
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segunda-feira, 30 de junho de 1997
Agência Estado Florianópolis 
O governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), disse que o seu governo terá uma nova energia após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir a sua permanência no cargo até o final do processo de impeachment. Num discurso emocionado em carro de som estacionado na Praça Tancredo Neves, no centro de Florianópolis, Paulo Afonso fez um desabafo contra seus adversários políticos no Estado, como o PFL, PPB e PT. Montaram um paredão de fuzilamento, chamaram os guardas, mas na última hora a justiça disse não, comemorou o governador. Os incompetentes de ontem vão ter que continuar assistindo e se quiserem governar que busquem o voto.
O motivo da alegria era um telefonema recebido pouco depois das 15 horas. No outro lado da linha, o ex-procurador-geral da República e seu advogado, Aristides Junqueira, anunciava a decisão do STF. Antes mesmo da decisão da Assembléia, saiu do gabinete e foi para a praça Tancredo Neves, onde os manifestantes aguardavam o seu pronunciamento. Acompanhado da mulher, dos cinco filhos, do vice José Augusto Hulse e de alguns secretários, Paulo Afonso subiu no carro de som e foi saudado pelos militantes do PMDB.
Durante seu discurso, o governador agradeceu o apoio dos manifestantes e recordou os momentos mais difíceis que enfrentou nas últimas semanas. Hoje estou muito feliz, só Deus sabe como estou feliz, iniciou o governador, que comparou o momento com o nascimento de seus filhos e a vitória na eleição de 94. Eu disse várias vezes para minha mulher que não era possível, que os pobres de espírito, medíocres em suas existências, só usassem sua inteligência para destruir, disse Vieira. Mas a lógica da vida é construir e não destruir. Empolgado com a reação da platéia, Paulo Afonso considerou a manifestação como o maior evento político da história de Santa Catarina.
Ao final, depois de ouvir o hino nacional na versão gravada pela cantora Fafá de Belém, Paulo Afonso desceu do carro e foi carregado nos ombros por alguns militantes. Atrás do governador, dezenas de pessoas invadiram o Palácio e o acompanharam até a porta do gabinete. Na coletiva, Paulo Afonso repetiu que estava muito satisfeito. Não podia haver um julgamento sumário, um processo de execução, disse Afonso. Na sua opinião, a justiça garantiu o direito de defesa, o processo livre e a produção de provas.


