Justiça impede instalação de universidade na ACM
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de março de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O juiz da 3 Vara Cível de Londrina, Rafael Vieira de Vasconcellos Pedroso, expediu ontem à tarde à Prefeitura de Londrina intimação para que adote medidas administrativas que coibam atividades letivas no prédio da Associação Cristã de Moços (ACM). A medida atinge a Universidade Filadélfia (Unifil), que, na condição de parceira da ACM, reformou o local para abrigar alunos do curso de Educação Física, em atividades iniciadas anteontem. Um mandado de segurança expedido pelo mesmo juiz, na semana passada, impedia a Prefeitura de conceder alvará de funcionamento à universidade no local. O motivo: a ACM está instalada no Jardim Tucanos, bairro residencial da Zona Sul da cidade.
A decisão de ontem é resultado de uma petição entregue na mesma tarde pelo grupo de moradores que desde fevereiro busca apoio de órgãos municipais para coibir a instação da Unifil no local. Em visitas à Câmara de Vereadores, por exemplo, reclamaram que um centro universitário na área não apenas confrontaria a Lei Municipal de Ocupação do Solo Urbano, como prejudicaria a qualidade de vida dos habitantes.
Ontem, o grupo voltou a procurar o Executivo para cobrar medidas do prefeito Nedson Micheleti (PT). Os moradores foram recebidos pelo chefe de gabinete do petista, Rodne Lima, a quem encaminharam a denúncia de que a insituição está lecionando no prédio sem alvará para tal. Lima explicou que órgãos como a Fazenda foram orientados a agir conforme o Código de Posturas do Município determina nesse tipo de situação. ''Sabemos que a ACM tem alvará para atividades recreativas, esportivas e culturais, e que a Unifil não pediu alvará para atividades de ensino. Nossa fiscalização vai verificar o que acontece, mas adianto que vamos cumprir o que o juiz determinou'', garantiu, referindo-se à decisão de ontem.
À noite, o grupo de moradores compareceu pela segunda vez ao local, onde, em um protesto pacífico, assistiu aos alunos entrarem no prédio vindos em carros ou em ônibus.
O advogado da Unifil, Ronaldo Neves, estava ontem em viagem, mas na semana passada afirmou à Folha que sustentaria a defesa de que a instituição ali seria ''uma benfeitoria à comunidade'', e não prejuízo. ''Mas vamos reforçar a argumentação de que já existe no local um clube recreativo, a ACM, de forma que a Unifil nada mais fará que desenvolver as mesmas atividades, com aulas acadêmicas e práticas, só que sem alterar o perfil, a destinação e a locação do imóvel'', declarou. Ontem, outra advogada do grupo, Kátia Yamada, disse que a defesa já estava pronta para ser protocolada no Fórum. ''Nos baseamos no alvará da ACM, com a qual somos parceiras, e que está vigente até hoje'', resumiu.


