São Paulo - O dinheiro do ex-governador Paulo Maluf na agência do Crédit Agrícole, em Paris, vai ficar bloqueado durante todo o processo de investigação da Justiça francesa, de acordo com a juíza Marivonne Caillibotte, responsável pelo serviço de comunicação do Tribunal de Grande Instância de Paris. Em entrevista à BBC Brasil, a juíza explicou que o dinheiro - que ela afirma totalizar US$ 1,8 milhão - poderá ficar bloqueado ''durante meses e até mesmo vários anos, dependendo do desenrolar das investigações''.
A juíza citou como exemplo um caso ligado ao banco Crédit Lyonnais, que tramitou na Justiça durante 14 anos. De acordo com Caillibotte, o Tribunal de Paris considerou importante bloquear imediatamente o dinheiro, para evitar que a quantia deixasse eventualmente o território francês. O juiz Henri Pons, do pólo financeiro do Tribunal de Paris, é o responsável pela ação em andamento, que investiga a conta do ex-governador no Crédit Agrícole. Foi em razão da ordem de convocação para prestar depoimento, assinada pelo juiz Pons, que Maluf foi detido anteontem pelos policiais do escritório do Serviço Central para a Repressão Financeira, em Nanterre, na periferia de Paris, sob suspeita de lavagem de dinheiro. O juiz Pons determinou que a denúncia investigada no inquérito é ''lavagem de dinheiro em bando organizado''.
As operações de transferência de dinheiro para fora do Brasil por meio de contas de estrangeiros (as chamadas CC5) efetuadas por Maluf, seus familiares ou empresas vem sendo acompanhadas de perto pelo Banco Central há cerca de um ano. Maluf ganhou mais destaque nesse tipo de acompanhamento depois de ser envolvido na remessa suspeita de US$ 200 milhões da Suíça para as Ilhas Jersey.

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