Em Jacarezinho, o protesto contra a cobrança de pedágio nas praças operadas pela Econorte só pode ser realizado por quem é capaz de gastar R$ 1 mil por dia sem estourar o orçamento familiar. Este é, em parte, o teor do despacho do juiz da Vara Cível local, Rodrigo Otávio Rodrigues Gomes do Amaral, que decidiu também alertar a Polícia Militar para impedir a realização de manifestações que venham a ''ameaçar, turbar, esbulhar a posse da autora (Econorte)''.
A sentença foi emitida para acolher ação de 'Interdito Proibitório' apresentada pela empresa concessionária visando impedir a ''ocupação'' de suas instalações. De acordo com a Econorte, protesto realizado pelas entidades sociais de Jacarezinho, em março, teria obstruído o tráfego de veículos e o transporte de pessoas doentes. O juiz Rodrigo do Amaral acatou a argumentação da empresa e fixou multa de R$ 1 mil reais por dia para cada pessoa que descumprir a liminar.
Na sede da APP-Sindicato, o grupo de pessoas que foram alvo da medida judicial, composto na maioria por professoras da rede pública, nega as acusações de bloqueio da rodovia e classifica a medida judicial como restrição ao direito de protestar.
''Claro que nós não bloqueamos a rodovia nem impedimos doentes de passar, esse pessoal inclusive chegou e a cancela foi aberta. Nosso protesto foi pacífico, mas eles preferem tentar nos denegrir'', rebate a professora Maria Lucia Vinha, que faz parte do Movimento 'Fim do Pedágio'.
A presidente da APP, Ana Lucia Baccon, complementa que, ''no fundo, essa iniciativa acabou sendo boa para nós''.''Na argumentação apresentada por eles na ação, nós percebemos os furos legais (do histórico da concessão) e com a ajuda de advogados começamos a nos mover. Acabou fortalecendo nosso movimento'', diz.
(F.C.)

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