O deputado federal Ricardo Barros (PPB) teve seus direitos políticos suspensos por seis anos, por determinação da Justiça Federal de Maringá. O juiz substituto da 3ª Vara Federal de Maringá, Marcos Cesar Romeira Moraes, também condenou o deputado a ressarcir os cofres públicos e a pagar multa sobre os salários recebidos por uma ex-assessora. A suspensão dos direitos políticos começa a valer somente quando não houver mais possibilidade de recurso.
A ação que resultou na condenação de Barros foi proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), por ‘‘nomeação fictícia’’ da assessora Rosimeire Botus Porpiglio. Ela e o marido, Paulo Roberto Porpiglio, que fizeram a denúncia, também foram condenados a perder direitos políticos por oito anos e pagamento do dano causado aos cofres públicos.
A denúncia partiu de Porpiglio, que alegava a contratação irregular da mulher como assessora do deputado. Rosimeire ocupou o cargo de fevereiro de 1995 a janeiro de 1997, inicialmente recebendo R$ 750 por mês. O valor, conforme consta nos autos, foi reduzido para R$ 500 por mês a partir do primeiro ano de trabalho.
Na denúncia, Porpiglio alega que Rosimeire recebia, mas não trabalhava e que nunca chegou a ir para Brasília, ‘‘nem a passeio’’. O salário era depositado em uma conta pessoal dela no Banco do Brasil. Inicialmente, Porpiglio afirmou que Barros deu o emprego à mulher como forma de pagar uma dívida de campanha. Quando ele e a mulher foram arrolados como réus, explicou o juiz, mudou alguns pontos do depoimento. ‘As declarações são confusas, lacônicas e incoerentes’’, colocou o juiz na sentença.
Duas testemunhas, assessores de Barros em Maringá, alegaram que Rosimeire aparecia raramente no escritório político do deputado. ‘‘A contratação viola o princípio da moralidade’’, disse o juiz no despacho. Barros foi - condenado a ressarcir os danos e pagar multa de seis vezes o valor. No total, Rosimeire recebeu cerca de R$ 14 mil.
O deputado, que é vice-líder do governo na Câmara, disse à Folha que a decisão do juiz é ‘‘absurda’’. Segundo ele, Porpiglio foi nomeado ‘‘secretário parlamentar’’ do gabinete em 1994. Após assumir a chefia local da Ciretran, foi substituído pela mulher. Como Porpiglio foi afastado e chegou a ser preso por irregularidades na chefia do órgão de trânsito em março de 1996, Barros alega que não tinha condições de manter Rosimeire no cargo.
Barros garantiu que o juiz decidiu ‘‘sem provas’’. ‘‘Mostramos com provas que não existe irregularidade na contratação.’’ O deputado acusou o ex-prefeito Said Ferreira (sem partido) de ter orientado Porpiglio para fazer a denúncia. Afirmou ainda que depois de ficar sabendo que também seria arrolado como réu, ‘‘e de ser abandonado por Said’’, Porpiglio e a mulher mudaram a versão.
O advogado Luis Carlos Manzato, que defende Barros, disse que o deputado vai recorrer e que a sentença só pode ser cumprida depois do processo transitar em julgado. Barros disse que vai derrubar a decisão no Tribunal Regional Federal (TRF), próxima instância do processo.
Ferreira disse que Porpiglio nunca trabalhou para ele. ‘‘O Porpiglio me ajudou na campanha, mas nunca pedi para ele fazer nada disso’’, garantiu. Said alegou não saber do processo contra Barros.

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