Justiça Federal suspende direitos políticos de Barros
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quinta-feira, 21 de junho de 2001
Marcos ZanattaDe Maringá 
O deputado federal Ricardo Barros (PPB) teve seus direitos políticos suspensos por seis anos, por determinação da Justiça Federal de Maringá. O juiz substituto da 3ª Vara Federal de Maringá, Marcos Cesar Romeira Moraes, também condenou o deputado a ressarcir os cofres públicos e a pagar multa sobre os salários recebidos por uma ex-assessora. A suspensão dos direitos políticos começa a valer somente quando não houver mais possibilidade de recurso.
A ação que resultou na condenação de Barros foi proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), por nomeação fictícia da assessora Rosimeire Botus Porpiglio. Ela e o marido, Paulo Roberto Porpiglio, que fizeram a denúncia, também foram condenados a perder direitos políticos por oito anos e pagamento do dano causado aos cofres públicos.
A denúncia partiu de Porpiglio, que alegava a contratação irregular da mulher como assessora do deputado. Rosimeire ocupou o cargo de fevereiro de 1995 a janeiro de 1997, inicialmente recebendo R$ 750 por mês. O valor, conforme consta nos autos, foi reduzido para R$ 500 por mês a partir do primeiro ano de trabalho.
Na denúncia, Porpiglio alega que Rosimeire recebia, mas não trabalhava e que nunca chegou a ir para Brasília, nem a passeio. O salário era depositado em uma conta pessoal dela no Banco do Brasil. Inicialmente, Porpiglio afirmou que Barros deu o emprego à mulher como forma de pagar uma dívida de campanha. Quando ele e a mulher foram arrolados como réus, explicou o juiz, mudou alguns pontos do depoimento. As declarações são confusas, lacônicas e incoerentes, colocou o juiz na sentença.
Duas testemunhas, assessores de Barros em Maringá, alegaram que Rosimeire aparecia raramente no escritório político do deputado. A contratação viola o princípio da moralidade, disse o juiz no despacho. Barros foi - condenado a ressarcir os danos e pagar multa de seis vezes o valor. No total, Rosimeire recebeu cerca de R$ 14 mil.
O deputado, que é vice-líder do governo na Câmara, disse à Folha que a decisão do juiz é absurda. Segundo ele, Porpiglio foi nomeado secretário parlamentar do gabinete em 1994. Após assumir a chefia local da Ciretran, foi substituído pela mulher. Como Porpiglio foi afastado e chegou a ser preso por irregularidades na chefia do órgão de trânsito em março de 1996, Barros alega que não tinha condições de manter Rosimeire no cargo.
Barros garantiu que o juiz decidiu sem provas. Mostramos com provas que não existe irregularidade na contratação. O deputado acusou o ex-prefeito Said Ferreira (sem partido) de ter orientado Porpiglio para fazer a denúncia. Afirmou ainda que depois de ficar sabendo que também seria arrolado como réu, e de ser abandonado por Said, Porpiglio e a mulher mudaram a versão.
O advogado Luis Carlos Manzato, que defende Barros, disse que o deputado vai recorrer e que a sentença só pode ser cumprida depois do processo transitar em julgado. Barros disse que vai derrubar a decisão no Tribunal Regional Federal (TRF), próxima instância do processo.
Ferreira disse que Porpiglio nunca trabalhou para ele. O Porpiglio me ajudou na campanha, mas nunca pedi para ele fazer nada disso, garantiu. Said alegou não saber do processo contra Barros.


