Curitiba - O ex-diretor de Câmbio e Operações Internacionais do Banco do Estado do Paraná (Banestado) Gabriel Nunes Pires Neto conseguiu ontem habeas corpus na Justiça Federal. Pires Neto é acusado de participar de um esquema de remessas fraudulentas ao exterior através de contas CC-5 (exclusiva para não residentes). Ele era o único ex-diretor do Banestado que ainda estava preso por possuir conta no Exterior.
Pires Neto estava preso desde o dia 18 de novembro de 2003 sem que o processo tivesse chegado ao final. O juiz federal Sérgio Moro, da 2 Vara Federal Criminal, entendeu que houve excesso de tempo para conclusão das investigações.
Além de Pires Neto, outros seis diretores do Banestado tiveram a prisão preventiva decretada no dia 3 de fevereiro, mas foram liberados dias depois por decisões judiciais junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região. Eles foram denunciados em agosto de 2003. Segundo a denúncia, durante o período em que estiveram gerenciando as operações de câmbio do Banestado, entre os anos de 1996 e 1997, cerca de US$ 1,9 bilhão teria sido enviado ilegalmente para fora do Brasil.
A Polícia Federal (PF) estima que mais de US$ 30 bilhões podem ter sido enviados ilegalmente para o exterior, especialmente através da agência do Banestado em Foz do Iguaçu.
Segundo o Ministério Público (MP) federal, a fraude era cometida através da abertura de contas em diversos estados em nome de 'laranjas'. Posteriormente, o dinheiro era transferido para Nova York e depositado em nome de empresas constituídas fora dos Estados Unidos.
Os três primeiros a serem liberados foram o ex-diretor de Operações de Câmbio e ex-vice-presidente Aldo de Almeida Júnior; o ex-gerente da Carteira de Câmbio do Banestado em Foz do Iguaçu Benedito Barbosa Neto; e o ex-gerente da agência de Foz do Iguaçu Luiz Acosta. No dia seguinte, foi concedido ainda habeas corpus para o ex-assessor da Diretoria de Câmbio José Luiz Boldrini e do ex-gerente da agência de Foz do Iguaçu Carlos Donizeti Sprícido. Na semana passada, o ex-diretor de Finanças e Controle do Banestado Alaor Alvim Pereira, que estava foragido, também conseguiu habeas corpus na Justiça Federal.

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