A Justiça Federal negou ontem os pedidos de habeas-corpus para libertar o ex-dono do Banco Marka, Salvatore Cacciola, e o economista Luís Augusto de Bragança, presos desde a quarta-feira. No despacho, a juíza Maria Helena Cisne Cid, do TRF do Rio, afirma que as gravações de conversas telefônicas de Cacciola, feitas pela PF, demonstram ‘‘o descaso do paciente com os destinos do País e com as autoridades constituídas, demonstrando sua intenção de obter, indevidamente, vantagem’’. Nas gravações, Cacciola xinga o procurador Bruno Caiado e desembargadores.
Outra alegação dos advogados de Cacciola, de que a escuta telefônica passou o prazo legal de 15 dias, também não foi aceita pela juíza. ‘‘O direito foi feito para proteger o cidadão, e não para garantir a impunidade’’, escreveu Maria Helena. A juíza também considerou que Bragança não pode ser solto com o pagamento de fiança. O mérito ainda será julgado pela 3ª Turma do TRF.
A decisão da juíza saiu pouco depois de os procuradores pedirem novamente a prisão do ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes e de outros quatro envolvidos na ajuda da instituição aos Bancos Marka e FonteCindam, em janeiro de 1999. Além da de Chico Lopes, foi pedida a prisão preventiva também da ex-diretora-jurídica do Marka Cinthia Costa e Souza, do ex-contador do banco Eliel Martins da Silva, além do ex-diretor-presidente do FonteCindam Luís Antônio Gonçalves e do ex-proprietário da instituição, Roberto Steinfeld.
‘‘Posso adiantar que muita gente não vai dormir neste fim de semana, com os rumos que o caso pode tomar’’, afirmou o procurador Caiado, após entregar o pedido reforçando a necessidade de mais prisões.

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