A Justiça Criminal Federal, em Curitiba, determinou ontem a soltura de oito pessoas presas temporariamente na ''Operação Parceria'', semana passada, e decretou a prisão preventiva de outros seis detidos, quatro deles na capital e dois ainda foragidos. O pedido foi formulado pela Polícia Federal, integrante da força-tarefa composta ainda por Receita Federal e Controladoria-Geral da União (CGU) e que apurou um suposto desvio de R$ 300 milhões em verbas federais recebidas pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Centro Integrado e Apoio Profissional (Ciap) nos últimos cinco anos. No período, foram repassados à entidade cerca de R$ 1 bilhão provenientes de convênios firmados entre poder público e Ministérios da Saúde e do Trabalho.
Dos oito em prisão temporária, sete estavam na Polícia Federal de Londrina e, um, na de Curitiba, onde seguem presos o presidente do Conselho Administrativo do Ciap, Dinocarme Aparecido Lima, o advogado Fernando Mesquita e outros dois supostos ''cabeças'' do esquema de desvio investigado. Os dois foragidos seriam um empresário londrinense e o filho de Lima.
O despacho com a ordem de soltura e a conversão das prisões temporárias - que expirariam sábado passado - foi assinado pelo juiz da 2 Vara Criminal Federal de Curitiba, Sérgio Fernando Moro, que atendeu parecer não apenas da PF, como também do Ministério Público.
Segundo o delegado-chefe da PF em Londrina, Evaristo Kuceki, os oito libertados ontem ''tinham relação com o Ciap; nas investigações apareceram os nomes deles como potenciais possuidores de documentos a respeito das atividades da oscip - mas a soltura agora está dentro do planejado''. Conforme o policial, o fim da temporária se justifica ''porque está cumprida a fase de instrução, de coleta de provas''. ''Agora ficou preso quem merecia ficar - a cúpula''.
Kuceki informou que o inquérito - chefiado pelo delegado Ricardo Cubas, da PF de Curitiba - tem de ser encerrado nos próximos 15 dias. Até lá, Cubas deverá receber a análise de documentação contábil e bancária dos presos apreendida semana passada durante o cumprimento de 40 mandados de busca e apreensão no Paraná e em Goiás, Maranhão, Pará e São Paulo.
A FOLHA tentou contato com a esposa de Lima, Vergínia Mariani, na faculdade Inesul - do marido, e à qual já retornou aos trabalhos, ontem mesmo -, mas ela não retornou a ligação.

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