O juiz federal Anderson Furlan Freire da Silva, da Vara Federal de Maringá, decretou ontem a prisão preventiva do ex-secretário de Fazenda do município, Luis Antônio Paolicchi, acusado de ter desviado R$ 2,6 milhões dos cofres da prefeitura entre dezembro de 1998 a março do ano passado. O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal. Se estiver no Brasil, Paolicchi está proibido de deixar o País. Há informações que ele está na Itália e se apresentaria nos próximos dias. Ontem, a Polícia Federal apreendeu, a pedido do Justiça, duas Centrais de Processamento de Dados (CPD) de informática e quatro caixas de documentos que estavam em uma das empresas de Paolicchi.
Policiais federais, a pedido do juiz, fizeram busca em dois endereços de Paolicchi. No apartamento onde ele morava, no Edifício Maison Royale, os policiais confirmaram que o ex-secretário já ‘‘permutou’’ o imóvel antes mesmo de deixar o cargo na prefeitura, há cerca de quatro meses.
As duas CPD e as caixas de documento estavam na sala comercial onde funciona a Agropecuária San Marino, uma das empresas de Paolicchi. ‘‘Todo material será analisado junto com o Ministério Público’’, adiantou o diretor da Vara Federal Criminal, João Cláudio Moraes Caiçara da Silva.
A Justiça também pediu à Polícia Federal (PF) e ao Departamento de Aviação Civil (DAC) a localização da aeronave ‘‘Gates Lear Jet Corp’’ em nome do ex-secretário. O prefixo da aeronave é PT-LDM. O jato, avaliado em mais de R$ 4 milhões, não pode levantar vôo de nenhum aeroporto do Brasil sem autorização judicial. Silva revelou ainda que a PF, de fronteira e os órgãos de aviação comercial foram acionados ontem mesmo para impedir que o ex-secretário deixe o País.
Os demais acusados de participar do desvio do dinheiro na prefeitura, o advogado Waldemir Ronaldo Corrêa, que trabalha com Paolicchi e é funcionário licenciado da prefeitura, o secretário de Fazenda afastado, Jorge Aparecido Sossai, além da servidora Rosimeire Castelhano Barbosa, eram procurados ontem por um oficial da Justiça Federal. Os três e Paolicchi devem comparecer diante do juiz no próximo dia 30, às 14 horas, para a audiência de instrução penal. Se não forem citados, explica o diretor da Vara Federal Criminal, os três também podem ter a prisão preventiva decretada.
Ele revelou que ontem o oficial já foi até os endereços comerciais dos três acusados, e a informação é que todos estão de férias ou licença. ‘‘Até Paolicchi pode ter a prisão revogada caso se apresente’’, explica João Cláudio da Silva. A prisão de Paolicchi, segundo o diretor, foi pedida pelo procurador da República Natalício Claro da Silva e acatada pelo juiz porque existem ‘‘fortes indícios’’ de autoria e materialidade do crime. Além de peculato (apropriação do dinheiro público), os acusados respondem ainda por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
Todos os crimes juntos podem render de oito a 30 anos de prisão. No despacho, o juiz diz que Paolicchi ‘‘procura se eximir de sua responsabilidade criminal ao procurar imprimir fuga do distrito da culpa’’. O juiz diz ainda que o ex-secretário está ‘‘transferindo’’ os bens móveis e imóveis para terceiros. Freire da Silva compara que enquanto no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, o desvio chegava a R$ 70 mil por dia, na prefeitura de Maringá o valor era de aproximadamente R$ 23 mil. Com a diferença que no TRT-SP existia o auxílio de um número elevado de empresas.
Outro pedido do juiz aos policiais, foi de tentar localizar o passaporte de Paolicchi nos endereços fornecidos. O advogado Moisés Zanardi, de Maringá, confirmou que está trabalhando para Paolicchi. Ele adiantou ontem à tarde que tinha informação sobre o pedido de prisão, mas disse que está no caso desde anteontem, e ainda estuda o processo para tomar conhecimento das acusações. Zanardi não quis comentar nada sobre as acusações.

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