Justiça Federal convoca Gianoto e Said
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de dezembro de 2000
Marta Medeiros De Maringá 
A Justiça Federal de Maringá intimou o prefeito afastado Jairo Gianoto, o ex-prefeito Said Ferreira, ambos sem partido, e o filho de Said, Alexandre Ferreira, para deporem às 16 horas do dia 9 de janeiro, no processo que apura o desvio de dinheiro na prefeitura. O juiz federal Anderson Furlan Freire da Silva, decidiu pela intimação depois que os três foram citados pelo ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi, em interrogatório na terça-feira.
Paolicchi, que está preso em Maringá desde o dia 7, é acusado de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha e peculato. O ex-secretário de Fazenda também é réu na Justiça comum, movida por ação por improbidade administrativa. Ele conseguiu acumular um patrimônio incompatível com o salário que recebia na prefeitura.
Paolicchi afirmou ao juiz que teria sido pressionado por Said (prefeito nas gestões de 1983/88 e de 1993/96) para desviar dinheiro da prefeitura com o objetivo de financiar a campanha do então candidato Jairo Gianoto, apoiado pelo ex-prefeito. O MP encontrou depósitos de R$ 549 mil na conta de Gianoto, em cheques emitidos pela prefeitura.
O dinheiro para Gianoto teria que sair da Serviço Autárquico de Obras e Pavimentação (Saop). Segundo Paolicchi, além de Gianoto, Said apoiou a candidatura a prefeito de Joel Coimbra, atual procurador-geral do Estado, obrigando o desvio de dinheiro da própria prefeitura.
Durante o interrogatório, Paolicchi envolveu Gianoto, afirmando que o prefeito afastado o pressionava para desvios de dinheiro utilizados em negócio particulares e na campanha de reeleição. Gianoto também responde ação por improbidade administrativa.
Conforme o ex-secretário, dos R$ 3,1 milhões descobertos até agora, pelo menos R$ 1 milhão teria sido movimentado pelo prefeito afastado. O filho do ex-prefeito, Said Ferreira, Alexandre Ferreira, também foi citado por Paolicchi como beneficiado por um depósito no R$ 55 mil.
Em entrevista coletiva na última quarta-feira, Said Ferreira negou as acusações de Paolicchi. Ele afirmou que as denúncias sobre desvios na Prefeitura de Maringá partiram dele, Said. O ex-prefeito disse ter vergonha dos desvios terem ocorrido a partir da sua gestão. Ele afirmou que uma auditoria teria sido realizada na época mas não foi capaz de descobrir o esquema armado por Paolicchi. Sobre o depósito para o filho, Said diz que se trata de um empréstimo pessoal entre Paolicchi e Alexandre realizado no período em que não era mais prefeito.
Os advogados de Paolicchi tentam relaxar a prisão do cliente que está em uma cela especial do 4º Batalhão da Polícia Militar de Maringá. Amanhã, o juiz Anderson Furlan decide sobre o pedido de relaxamento. Paolicchi ficou foragido por quase dois meses desde que a prisão preventiva foi decretada em outubro. O pedido de relaxamento de prisão do ex-secretário de Fazenda foi entregue logo depois do interrogatório de Paolicchi na terça-feira. Até agora os advogados do prefeito afastado não se pronunciaram sobre as denúncias feitas por Paolicchi contra Gianoto.


