Curitiba A Justiça Federal deve decidir nos próximos dias se acata uma denúncia elaborada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra 14 pessoas acusadas de fraudar o sistema de liberação de financiamentos da Banestado Leasing. De acordo com a denúncia, um total de R$ 17,1 milhões foram liberados através de financiamentos para sete empresas entre 1995 e 1996, mediante o pagamento de propinas para funcionários da ex-estatal.
A denúncia baseia-se em informações colhidas através depoimentos, escutas telefônicas e quebras de sigilo bancário e fiscal dos empresários acusados e do ex-gerente da Divisão de Negócios de Leasing, Luiz Antônio Eugênio de Lima, e do ex-gerente do Departamento de Operações da estatal, José Edson Carneiro de Souza. De acordo com o procurador responsável pela denúncia, Carlos Fernando dos Santos Lima, os dois funcionários teriam recebido um total de R$ 885,8 mil para liberar os financiamentos para empresas que não ofereciam as garantias necessárias para conseguirem um empréstimo pelas vias legais.
Segundo a denúncia, o empresário Euzir Baggio seria o responsável pelo recolhimento do valor das propinas junto às empresas e o repasse para Eugênio de Lima e Carneiro de Souza. Baggio afirma não ter envolvimento no episódio. ''Não participei desse esquema, e não tive a chance de me defender durante a elaboração da denúncia. Só vou poder provar minha inocência agora'', afirma Baggio. Tanto o empresário como os ex-funcionários do banco respondem a uma ação civil pública pedindo o ressarcimento dos valores liberados aos cofres públicos.
De acordo com a denúncia, a falta de garantias de alguma das empresas que receberam o financiamento é clara. O empresário Hilton Chipon, da transportadora Cristo Rei, chegou a ser condenado por não depositar R$ 1,3 milhão relativos ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) na conta de seus funcionários, alegando falta de verbas. Procurado pela Folha, Chipon não retornou as ligações.
Além da Transportadora Cristo Rei, representantes de seis outras empresas são acusadas de se beneficiar do esquema de liberação de financiamentos: Flávio e Cezar Antonio Bonet (Indústrias Bonet), Dionísio Serena Júnior (Indústria Gráfica e Editora Serena), Jacob Abrahams (Indústria Trevo), Marcos José Olsen e Lourival Faucz (Olsen Veículos), Margid Pizzatto e Marcos José Olsen (Wiegando Olsen) e Eduardo Luiz Moreno, Orlando José Moreno e Maria Emília Moreno Guimarães (Unida Artes Gráficas e Editora).

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