Justiça Federal autoriza oitivas da CPI da Petrobras em Curitiba
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sexta-feira, 24 de abril de 2015
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba A Justiça Federal do Paraná confirmou a realização das oitivas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras em Curitiba com os investigados presos na carceragem da Polícia Federal (PF) e no Complexo Médico Penal (CMP). O acordo foi firmado ontem de manhã durante reunião do juiz Sérgio Moro com 13 integrantes da CPI que vieram a Curitiba. A data das sessões na capital paranaense devem ser definidas somente na próxima semana. A expectativa é de que os depoimentos sejam colhidos ao longo de quatro dias e em local a ser definido já na primeira quinzena de maio.
O juiz Sérgio Moro se reuniu com os parlamentares por pouco mais de uma hora e meia e não se pronunciou sobre o encontro. Em nota, apenas confirmou que "o propósito da reunião foi definir procedimentos para compartilhamento do material probatório da Operação Lava Jato, e ainda para a oitiva dos acusados e investigados presos em Curitiba. A data das oitivas ainda será definida, devendo ocorrer em maio".
A ideia da Comissão é que as oitivas ocorram logo depois dos interrogatórios que já estão programados entre os dias 28 de abril e 11 de maio, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba. Nestas datas, Moro vai ouvir todos os réus das ações penais que envolvem as empreiteiras Engevix, OAS, Galvão Engenharia, UTC, Camargo Corrêa e Mendes Jr., incluindo o doleiro Alberto Youssef; o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e os executivos.
Uma das opções de local levantada pelos próprios deputados seria a Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. "A logística desse trabalho ainda não está resolvida porque tem muitos pontos a serem discutidos, desde a segurança e acesso ao local, ao translado e escolta dos presos, etc. Todos os membros da Comissão devem participar das oitivas", disse Antônio Imbassahy (PSDB-BA) vice presidente da CPI.
"São muitas pessoas a serem ouvidas e, se fossemos requerer que os presos fossem até Brasília, tudo iria ficar muito mais difícil. O translado de cada preso é muito complicado, por isso entendemos que a vinda da CPI para Curitiba terá muito mais eficiência", completou Imbassahy.
Ele ainda ressaltou que existe a possibilidade das sessões serem abertas à imprensa, como já ocorre em Brasília. Normalmente, cada oitiva na Câmara Federal dura de seis a oito horas. Os deputados ainda vão definir se será viável a transmissão ao vivo das oitivas.
Além de Imbassahy, participaram da reunião com Moro os deputados Eliziane Gama (PPSMA), Ivan Valente (PSOL-SP), Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Julio Delgado (PSB-MG), Leo de Brito (PT-AC), Celso Pansera (PMDB-RJ), Arnaldo Faria de Sá (PTBSP), Kaio Maniçoba (PHS-PE), Delegado Waldir (PSDB-GO), Aluísio Mendes (PSDC-MA), Arnaldo Faria (PTB/SP) e Fernando Monteiro (PP/PE).
ACUSADOS
O requerimento para ouvir os presos da Lava Jato foi aprovado pela CPI no último dia 14. Nas oitivas em Curitiba devem ser ouvidos os presos Alberto Youssef; Fernando Soares (operador do esquema); Ricardo Pessoa, executivo da UTC; João Ricardo Auler, executivo da Camargo Corrêa; Erton Medeiros Fonseca, executivo da Galvão Engenharia; Dario de Queiroz Galvão Filho, executivo da Galvão Engenharia; Gerson de Mello Almada, executivo da Engevix; Sergio Cunha Mendes, executivo da Mendes Júnior; José Ricardo Nogueira Breghirolli, executivo da OAS; Agenor Franklin Magalhães Medeiros, executivo da OAS; Mateus Coutinho de Sá Oliveira, executivo da OAS; José Aldemário Pinheiro Filho, executivo da OAS; Guilherme Esteves de Jesus, apontado como operador do Estaleiro Jurong; Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras; Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal; Adir Assad, apontado como operador da Mendes Júnior; e Mário Góes, apontado como um dos operadores do esquema. Além deles, também prestarão depoimentos os executivos da Camargo Corrêa que estão em prisão domiciliar Eduardo Hemelino Leite e Dalton dos Santos Avancini.
A doleira Nelma Kodama e sua subordinada, Iara Galdino da Silva, que já foram condenadas e cumprem pena na Penitenciária Feminina de Piraquara (PFP) também podem prestar esclarecimentos à CPI. Os parlamentares também analisam até a próxima semana a possibilidade de apresentar requerimentos para convocar os ex-deputados presos: André Vargas, João Luiz Argôlo e Pedro Corrêa.


