Justiça Federal acata denúncia e Beto Richa e mais nove viram réus
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
A 23ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, acatou a denúncia contra o ex-governador Beto Richa (PSDB) e outros nove acusados na Operação Integração, que passam a ser réus no processo. Uma das fases da Lava Jato, a Operação Integração aponta desvios que ultrapassam R$ 8 bilhões com pagamentos de propina a agentes políticos e cargos comissionados do governo do Paraná pelas concessionárias de pedágio. O dinheiro viria da supervalorização das tarifas por meio de aditivos que criaram degraus tarifários ou excluíram obras viárias das obrigações contratuais das empresas.
Os acusados vão responder às denúncias de corrupção passiva e organização criminosa. O MPF (Ministério Público Federal) baseou-se em provas de rastreamento financeiro, e-mails e palavras dos colaboradores, como o ex-diretor do DER (Departamento de Estradas de Rodagens) Nelson Leal Jr. e o ex-presidente da Econorte, Hélio Ogama, para elaborar a denúncia. A defesa do ex-governador disse apenas que se "manifestará nos autos" do processo.
Beto chegou a ser preso preventivamente em janeiro deste ano, com seu contador de confiança, Dirceu Pupo, por suspeita de tentativa de interferência nas investigações. De acordo com o MPF, eles entravam em contato com testemunhas para que mudassem suas declarações sobre três transações imobiliárias envolvendo a família do ex-governador, suspeitas de terem sido feitas para lavagem de dinheiro. Beto permaneceu preso por uma semana, até que o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), João Otávio de Noronha, concedeu habeas corpus a Beto e seu irmão, Pepe Richa, além de salvo conduto para que não sejam mais detidos no âmbito da operação.


