Justiça Federal acata ação contra Youssef
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de agosto de 2001
Cristiane Oya<BR>De Londrina 
O juiz da Vara Criminal da Justiça Federal, Douglas Gonzales, acatou parcialmente a ação impetrada pelo procurador Mário Ferreira Leite, contra o empresário e doleiro londrinense Alberto Youssef. A ação, protocolada no dia 28 de junho, também cita outros nove réus pela lavagem de R$ 146 mil desviados da Autarquia do Meio Ambiente (AMA), através de fraude em licitação. O dinheiro teria sido depositado na conta da empresa fantasma Freitas & Dutra, aberta no Banestado.
O diretor da Vara Criminal da Justiça Federal em Londrina, Antonio Mello, confirmou que o juiz havia despachado a ação. Mas alegou que não poderia dar detalhes porque o processo tramita em segredo de justiça.
O desvio de recursos da AMA também foi base para uma ação criminal do Ministério Público (MP), que culminou na prisão preventiva de Youssef no dia 4 de dezembro do ano passado. O doleiro permaneceu 19 dias na carceragem do 3º Distrito Policial e foi libertado por efeito de uma liminar obtida no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ). Em janeiro, ele foi novamente preso pela mesma acusação e conseguiu ser solto em caráter liminar, graças a um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
Youssef também é investigado em 37 inquéritos instaurados pela Polícia Federal, em Londrina. Ele é apontado como o responsável pela movimentação de R$ 150 milhões, de maio de 1998 a janeiro de 99, em 37 contas fantasmas abertas nas agências do Banestado em Londrina, Cambé e Ibiporã.
O advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, argumentou que o doleiro não é o responsável pelas contas. ''Vou lutar por aquilo que for lícito dentro do ordenamento jurídico. A meu juízo, tudo o que o MP fez foi um castelo de areia e vamos tratar de discutir isso na Justiça Federal''.
Gomes encaminhou ao STJ, em Brasília, cópias das ações protocoladas nas justiças Estadual e Federal para suscitar conflito de competência. Segundo o advogado, uma pessoa não pode responder ações em duas esferas da Justiça pelo mesmo crime. Com essa documentação, ele espera obter o mérito do habeas-corpus que irá garantir a liberdade de Youssef.


