Curitiba - A Justiça Federal do Paraná determinou ontem o encaminhamento ao Supremo Tribunal Federal (STF) do relatório dos autos da Operação Lava Jato, deflagrada em março pela Polícia Federal (PF), que ligam Alberto Youssef ao deputado André Vargas (sem partido). Em abril já havia sido anunciado que o material da operação referente ao parlamentar seria enviado para o Supremo assim que a PF levantasse todas as informações necessárias.
Com o relatório concluído, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, assinou o despacho e agora cabe ao STF apurar a relação entre o parlamentar e o doleiro. Por ser deputado, Vargas tem foro privilegiado e não pode ser julgado pela Justiça de primeira instância. Vargas não é investigado na Lava Jato, no entanto, a suspeita de envolvimento entre os dois foi descoberta durante as apurações.
Na decisão de ontem, o juiz indica que "embora o relatório anexo demande avaliação mais acurada e abranja diversos fatos, haveria, em síntese, indícios da participação do deputado federal André Vargas na obtenção pela empresa Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia, de Parceria para Desenvolvimento Produtivo (PDP) junto ao Ministério da Saúde. Há indícios de que a Labogen não teria estrutura mínima para obtenção da parceria".
Segundo Moro, o foro privilegiado não lhe permite se aprofundar no caso. "Outros fatos relacionados à suposta relação entre André Vargas e Alberto Youssef e apontados no relatório anexo ainda demandam melhor delimitação e investigação, o que não pode ser feito, no momento, por ou perante este Juízo. Não cabe deste julgador juízo de valor quanto aos fatos, seu caráter criminoso ou não, pois a competência é do Supremo Tribunal Federal".
Além dos indícios que aparecem no relatório da PF, o juiz ainda ressalta que também "há registro de que Alberto Youssef teria pago uma viagem de avião para André Vargas e talvez familiares, o que pode eventualmente configurar crime de corrupção passiva". A viagem citada ocorreu no mês de abril, conforme uma reportagem pulicada pelo jornal Folha de São Paulo. Conforme o jornal, o empréstimo da aeronave foi discutido entre os dois por mensagens de texto no início de janeiro.
A Justiça Federal do Paraná já acatou sete denúncias feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) com base nos relatórios produzidos pela PF, e já transformou em réus 42 pessoas, entre elas os doleiros Youssef, Carlos Habib Chater, Nelma Kodama e Raul Henrique Srour, e o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Todos estes seguem presos na carceragem da PF em Curitiba.
Questionada sobre o envio do relatório da PF ao Supremo, a defesa de André Vargas informou que já esperava que o relatório chegasse até o STF, e que vai responder a todos os questionamentos no devido tempo.

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