Os servidores da Justiça Eleitoral de sete estados paralisaram suas atividades ontem na expectativa de uma reunião com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Néri da Silveira, agendada para o início da noite. Em manifestações pacíficas, os funcionários reivindicaram reajuste salarial de 11,98%, referentes a uma diferença da conversão de salários, de cruzeiros reais para Unidade Real de Valor (URV), ocorrida em março de 1994, na transição para o Real.
No encontro, os servidores tentariam um acordo com o ministro. Caso as exigências não fossem atendidas, os funcionários ameaçam fazer greve por tempo indeterminado, colocando em risco a realização das eleições municipais do próximo domingo. Mobilizados há duas semanas, eles têm feito assembléias e paralisações diárias de duas horas.
Em São Paulo, os servidores do TRE paralisaram suas atividades durante 24 horas, aguardando o resultado da ‘‘reunião decisiva’’ com o ministro Néri da Silveira. ‘‘Tudo vai depender da conversa em Brasília’’, afirmou Cláudio Antonio Klein, diretor-executivo do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal do Estado de São Paulo (Sintrajud). Segundo ele, hoje houve adesão de 80%.
Está marcada para o meio-dia de hoje uma assembléia para definir o rumo da paralisação no estado. ‘‘Há a possibilidade de greve geral’’, garante Adilson Rodrigues Santos, coordanador-geral do Sintrajud. Os sindicalistas paulistas asseguram, no entanto, que o TRE-SP não assumirá o comando de uma greve geral sem a certeza de apoio de outros estados. ‘‘Não vamos fazer entrar nessa sozinhos’’, afirma Klein. ‘‘Com o apoio de Brasília e Minas, já somaríamos 30% do total de funcionários da Justiça Eleitoral. E seria viável.’’ Assim como os servidores de São Paulo, os funcionários do TSE também pararam hoje durante 24 horas em Brasília. Segundo a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores do Judiciário Federal (Fenajufe), houve paralisação também em Minas Gerais, Santa Catarina, Pará, Pernambuco e Paraíba. Os outros estados aguardavam a definição do encontro de ontem à noite, em Brasília, para aderir ou não ao movimento.
Na quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) desconsiderou parte das exigências e decidiu que os servidores devem receber a diferença relativa apenas ao período compreendido entre março de 1994 e dezembro de 1996. Por oito votos a um, os ministros entenderam que a diferença deve ser paga até a edição do plano de cargos e salários do Judiciário, instituído em dezembro de 96. Na visão do STF, o plano de cargos incorporou o reajuste.
A direção do Tribunal Superior Eleitoral disse ontem que está estimado preliminarmente em R$ 140 milhões o custo da concessão do aumento salarial de 11,98% a toda a Justiça Eleitoral – o TSE e os 27 tribunais regionais eleitorais. O valor inclui as parcelas atrasadas (de abril de 1994 a dezembro de 1996) e a incorporação ao salário atual de todos os funcionários.

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