A Justiça Eleitoral e a Polícia Federal realizaram ontem, em Curitiba, as duas primeiras apreensões de propagandas ilegais desta campanha. O jornal ‘‘Expresso da notícia’’, do PSB, e o panfleto ‘‘Bravos guerreiros formai a resistência’’, do PMDB, foram tirados de circulação por ordem do juiz da 2ª zona eleitoral, Salvatore Astuti.
O material apreendido será encaminhado para o Ministério Público Eleitoral que decidirá se cabe ou não a abertura de investigação judicial contra os responsáveis. As notificações do PSB e do PMDB foram feitas de surpresa. A Justiça Eleitoral e a Polícia Federal não revelaram o número de exemplares encontrados nas sedes dos dois partidos.
‘‘Roberto Alcapone’’ foi a designação utilizada pelo PSB para atacar o candidato das oposições, senador Roberto Requião (PMDB). O jornal acusa o senador de possuir uma coleção de armas, algumas privativas do Exército e obtidas de forma obscura. ‘‘Prática que só um marginal experiente consegue, sem deixar vestígio’’, diz o jornal.
O ‘‘Expresso da notícia’’ ressuscita ainda o caso de diárias-frias que teriam sido emitidas pela Casa Civil, durante o governo Requião. E um suposto superfaturamento na compra de ovelhas durante sua gestão, quando o senador Osmar Dias (PSDB) respondia pela Secretaria da Agricultura. ‘‘Negócio para conseguir dinheiro extra’’, insinua o PSB.
O panfleto ‘‘Bravos Guerreiros formai a resistência’’, distribuído há dias na região metropolitana de Curitiba, é uma crítica à convocação dos cerca de 1.800 comissionados para a campanha do governador e um convite para os servidores de carreira formarem comitês pró-Requião. A oposição acusou o governo de fazer uma ‘‘lista de Schindller’’ dos servidores que se recusam a pedir votos para Lerner.
A apreensão autorizada pelo juiz da 2ª zona eleitoral não foi justificada pelo conteúdo do material de campanha do PMDB, mas pelo uso de uma bandeira como fundo do panfleto. O pedido de providência ajuizado contra a oposição foi feito pela equipe jurídica da campanha pela reeleição do governador Jaime Lerner, com base na legislação eleitoral.
O presidente do PSB, Severino Nunes de Araújo, soube da apreensão do material pela PF em Londrina. O dirigente não quis comentar o assunto e alegou que não leu o jornal ‘‘Expresso da notícia’’. A advogada de Requião, Marlene Zanin, estudava a possibilidade de reverter juridicamente a situação, em seu escritório em Curitiba.

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