Curitiba A Justiça Eleitoral cassou ontem o diploma que conferiu o mandato ao prefeito de Jaguariaíva (118 km ao norte de Ponta Grossa), Ademar Ferreira de Barros (PFL). A Justiça determinou ainda que Ferreira pague uma multa de 5 mil Unidades de Referência (Ufirs). Ele é acusado de usar bens públicos para conquistar votos na eleição de 2000, quando foi reeleito.
Segundo o promotor do município, Rodrigo Otávio Mazur Casagrande, a representação contra o prefeito foi feita pelo PT, que denunciou a existência de três loteamentos irregulares no município, considerados ''currais eleitorais''. As famílias que moram nesses loteamentos, que permanecem irregulares até hoje, ganharam as casas e durante a campanha haviam diversas placas fazendo propaganda de Ferreira no local.
Como a diferença entre o primeiro e o segundo colocado nas eleições foi de apenas 600 votos, o juiz Marcos Venícius Cristo considerou que a existência dos loteamentos comprometeu a igualdade entre os candidatos e maculou o processo eleitoral no município.
O segundo colocado nas eleições foi o Otílio Renato Baroni, candidato da coligação PPS-PMDB. Diante da cassação do diploma de Ferreira, o cargo deve ser passado a Baroni. Porém, ainda cabe recurso à decisão da Justiça Eleitoral e o atual prefeito só perde o cargo depois que a ação transitar em julgado.
O procurador-geral do Município, que é sobrinho do prefeito, Lincoln Ferreira de Barros, disse que em momento algum o prefeito coagiu os moradores dos três loteamentos. ''Ele não tinha conhecimento prévio da colocação das placas nesses locais'', afirmou. A defesa do prefeito já recorreu da decisão da Justiça Eleitoral. O caso agora deve ser analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

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