Manaus - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) impugnou na noite de quinta-feira, por 5 votos a 1, a candidatura à reeleição do governador do Acre, Jorge Viana (PT). O tribunal acatou denúncia da coligação que apóia o candidato do PMDB ao governo do Estado, Flaviano Mello, de que Viana estaria fazendo irregularmente propaganda de seu governo. O governador vai recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
De acordo com a denúncia, todas as placas do governo do Estado do Acre têm o desenho de uma árvore, símbolo do governo de Jorge Viana. Portanto, segundo os advogados da coligação, está caracterizada a propaganda ilegal, proibida pela Constituição. A árvore, que representa a Floresta Amazônica, estaria nas placas indicativas de estradas, nas secretarias, nos carros oficiais, entre outros locais. O ex-deputado Narciso Mendes, adversário político de Viana, citou, na ação, 702 vezes em que viu o símbolo em algum tipo de placa oficial.
Jorge Viana, que pretende impetrar no início da próxima semana recurso contra a decisão no TSE, passou o dia de ontem em Manaus, onde participou da campanha política do candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ''É assim que eles (os adversários trabalham), na madrugada e sempre às sexta-feiras'', disse o governador. ''Só há dois caminhos para evitar minha vitória: ou me matando ou me impugnando''. Jorge Araquém, advogado de Viana, desembargador aposentado e ex-presidente do TRE, disse, ao comentar a decisão do tribunal: ''O Acre está de luto''.
A briga do PMDB e de outros partidos com o governador do Estado é muito forte. Por imposição do candidato Flaviano Mello, o presidente nacional do PSDB, deputado José Aníbal (SP), interveio no diretório acreano e impôs a aliança com o PMDB. Os tucanos mais representativos, que eram aliados de Viana, rejeitaram o ato de força e deixaram o PSDB para continuar ao lado do governador.
Esta é mais uma tentativa de impugnação da candidatura de Viana. Há cerca de dois meses, o grupo de Flaviano Mello entrou no TRE com representação contra o governador, também sob alegação de uso da máquina administrativa. Mas não teve êxito. Corre ainda outra ação segundo a qual, há cerca de um mês, Viana e auxiliares teriam visitado a cidade de Manoel Urbano, a cerca de 280 quilômetros de Rio Branco, em quatro veículos da Secretaria da Saúde.

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